Blog · 02 de julho de 2025 · 6 min de leitura · por Joyce Bueno Florencio, CRMV-SP 36111

5 sinais de que seu cão ou gato pode precisar de fisioterapia

Deixar de pular, mancar, lamber sempre o mesmo lugar, mudar o comportamento e alterar hábitos do dia a dia podem ser sinais de dor. Saiba reconhecer cada um.

Yorkshire em exercício de equilíbrio com bola de fisioterapia

Pontos-chave

  • Cães e gatos escondem a dor: mudanças pequenas na rotina podem ser o primeiro sinal.
  • Gato que não manca pode estar com dor; deixar de pular em lugares altos costuma ser o sinal mais claro.
  • Arrastar ou cruzar as patas, ou perder os movimentos, pede veterinário com urgência: cada hora conta.
  • Gato macho sem conseguir urinar é emergência; gato sem comer precisa de veterinário no mesmo dia.

Cães e gatos não dizem que estão com dor. Eles mostram, e quase sempre de um jeito discreto: um pulo que deixou de acontecer, um jeito diferente de andar, uma lambida insistente na mesma pata.

Muitas vezes, esses sinais são confundidos com “preguiça” ou “coisa da idade”. Conhecer cada um ajuda você a buscar ajuda mais cedo, quando o tratamento costuma ser mais simples.

Sinal 1: dificuldade ou hesitação para pular e subir

Mudar a forma de subir no sofá, na cama ou no carro é um dos sinais mais comuns de desconforto nas articulações, nos músculos ou na coluna.

O que observar

  • Hesitação: o animal se aproxima do sofá ou da cama, para e parece “calcular” o salto, ou olha para você como se pedisse ajuda.
  • Tentativas que não completam: começa o pulo e desiste, ou não alcança a altura de antes.
  • Caminhos alternativos: passa a usar um pufe ou uma cadeira como degrau.
  • Mudança de hábito: o pet que sempre dormiu na cama começa a ficar no chão.
  • Gato longe dos lugares altos: deixa de subir na janela, na bancada ou no armário.

Possíveis causas

  • Doenças articulares, como artrose, displasia coxofemoral, luxação de patela e ruptura do ligamento cruzado.
  • Problemas na coluna, como a hérnia de disco, que doem quando a coluna se curva para dar impulso.
  • Perda de força muscular, comum em animais idosos ou que ficaram muito tempo parados.
  • Lesões antigas que não se recuperaram totalmente.

Nos gatos, esse costuma ser o primeiro sinal de artrose, porque eles raramente mancam. Boa parte dos gatos idosos tem alterações de artrose, mas poucos mostram manqueira. Por isso, gato que não manca não é gato sem dor: deixar de pular ou de se limpar pode ser o único sinal. Veja mais no guia sobre artrose em gatos e fisioterapia.

Sinal 2: mancar ou mudar o jeito de andar

Quando algo dói, o animal muda a forma de andar para tirar o peso da parte dolorida. A manqueira pode ser evidente ou bem discreta.

O que observar

  • Manqueira evidente: o animal levanta uma pata ao andar ou correr.
  • Apoio leve: encosta uma das patas no chão mais rápido e com menos peso que as outras.
  • Rigidez ao levantar: os primeiros passos depois de descansar são duros e lentos.
  • Andar diferente: rebola, dá “pulinhos” com uma pata de trás ou anda com as costas arqueadas.
  • Arrastar as unhas ou a ponta da pata: pode indicar fraqueza ou um problema neurológico, e não só dor.

Atenção: se o seu cão ou gato arrasta uma pata, cruza as patas ao andar ou tropeça, procure o veterinário com urgência, sem esperar. Pode ser um problema na coluna que piora rápido e tem tratamento mais eficaz quanto mais cedo for atendido.

Possíveis causas

  • Artrose, causa frequente de manqueira crônica em animais mais velhos.
  • Lesões de ligamentos, músculos ou tendões, depois de uma corrida ou de um salto mal dado. Em cães médios e grandes, o ligamento do joelho pode se romper mesmo sem trauma, por uma doença que o enfraquece aos poucos.
  • Algo preso na pata, como espinho, farpa ou caco de vidro, ou uma unha machucada.
  • Problemas na coluna, como a hérnia de disco, que pode causar fraqueza e falta de coordenação.
  • Fraturas ou luxações, que costumam causar manqueira forte e de repente.

Se o seu cão anda cambaleando, cruza as patas de trás ou tem dor nas costas, leia o guia sobre hérnia de disco em cães e fisioterapia.

Sinal 3: lamber ou morder sempre o mesmo lugar

Lamber faz parte da higiene. Mas, quando a lambedura fica repetitiva e concentrada em uma única região, ela pode indicar dor ou incômodo naquele ponto.

O que observar

  • Foco insistente: o animal lambe ou mordisca sempre a mesma região, como uma articulação ou uma pata.
  • Marcas na pele: falhas no pelo, vermelhidão, pelo manchado de saliva ou feridas úmidas.
  • Sensibilidade ao toque: o animal se incomoda, se afasta ou reage quando você toca a área.

Possíveis causas

  • Dor articular: o animal pode lamber a região sobre uma articulação dolorida.
  • Alterações nos nervos: problemas na coluna podem causar sensações estranhas em uma pata, e o animal lambe a pata mesmo que a origem esteja na coluna.
  • Problemas de pele: alergias, pulgas, fungos e infecções também causam lambedura e precisam ser descartados.

Como as causas são muito variadas, esse sinal pede primeiro uma avaliação com o médico veterinário.

Sinal 4: mudanças de comportamento

Um pet dócil que passa a rosnar, um animal brincalhão que fica quieto num canto. Mudanças de temperamento podem ser um jeito de mostrar dor.

O que observar

  • Reação ao toque: rosna, tenta morder ou foge quando é tocado em certa região ou pego no colo.
  • Isolamento: se esconde, evita a família ou os outros animais da casa.
  • Desânimo: perde o interesse em brincar, passear ou receber carinho.
  • Choro ou gemidos: principalmente ao levantar, deitar ou ser manipulado.
  • Irritação: fica menos tolerante com situações que antes aceitava bem.

Possíveis causas

A dor que dura muito tempo cansa o corpo e a mente e deixa o animal menos tolerante. Ele pode aprender que se afastar ou reagir evita um toque que dói. Dor na coluna e artrose em várias articulações são causas comuns, porque tornam qualquer movimento desconfortável.

Mudanças de comportamento também podem ter outras causas, clínicas ou emocionais. Por isso, o veterinário precisa avaliar antes de qualquer conclusão.

Sinal 5: mudanças no apetite, na higiene e nas necessidades

A dor também aparece em tarefas básicas do dia a dia: comer, se limpar, fazer xixi e cocô.

O que observar

  • Apetite: come menos, fica seletivo ou só aceita petiscos.
  • Dificuldade para comer: demora, deixa cair comida ou parece incomodado ao se abaixar até o pote.
  • Pelagem descuidada: em gatos, pelo opaco, embolado ou com nós, principalmente nas costas e perto da cauda, regiões difíceis de alcançar com dor.
  • Necessidades fora do lugar: xixi ou cocô fora da caixa ou do tapete, muitas vezes bem perto dele.
  • Escapes sem perceber: o animal deixa escapar xixi ou fezes sem notar. Isso não é falta de educação: pode ser sinal de que a coluna não está mandando os comandos certos para a bexiga ou o intestino, e merece avaliação sem demora.

Possíveis causas

  • Dor no pescoço ou nas costas: abaixar a cabeça até o pote pode doer.
  • Dor na boca: problemas nos dentes e na gengiva, muito comuns em cães e gatos adultos e idosos, deixam a mastigação dolorosa.
  • Limitação para se limpar: artrose ou dor na coluna dificultam que o gato se curve para se lamber.
  • Dor ao se posicionar: agachar para fazer as necessidades pode doer, e entrar em caixas de areia com borda alta fica difícil.
  • Problemas neurológicos: escapes de xixi ou fezes podem indicar uma alteração na coluna.

Falta de apetite e mudanças nas necessidades também podem vir de doenças que não têm relação com músculos e articulações. Aqui, a consulta veterinária vem sempre primeiro.

Notei um desses sinais. E agora?

  • Observe e registre. Anote quando o sinal aparece e grave vídeos curtos do seu pet andando, levantando ou subindo em algum lugar. Muitos animais disfarçam a dor durante a consulta.
  • Leve ao médico veterinário. É ele quem investiga a causa, pede exames e define o diagnóstico e a medicação, se necessária.
  • Não tente tratar em casa antes do diagnóstico. Exercícios forçados, massagens fortes ou tentar "estalar" ou "soltar" a coluna ou as patas podem piorar muito uma fratura, uma luxação ou uma hérnia de disco. Também não dê remédios de uso humano.
  • Converse sobre a fisioterapia. Em muitos casos, ela entra como parte do tratamento, ajudando no controle da dor, na força e na mobilidade.

A fisioterapia não substitui o diagnóstico nem o tratamento médico. Ela complementa o cuidado com técnicas como exercícios terapêuticos, laserterapia, eletroterapia (como o TENS, para dor, e a estimulação muscular), terapia manual e treino de equilíbrio, escolhidas depois de uma avaliação. Cada técnica tem ajustes e contraindicações próprios. O laser, por exemplo, usa ajustes específicos para cada espécie, com cuidado redobrado em gatos.

Quando procurar o veterinário com urgência

Alguns sinais não podem esperar. Procure atendimento veterinário imediatamente se o seu pet:

  • Perder de repente a capacidade de andar, arrastar as patas ou não conseguir ficar de pé. Nesses casos, cada hora faz diferença: não espere para ver se melhora sozinho.
  • Deixar de apoiar uma pata de uma hora para outra ou gritar de dor.
  • Perder o controle do xixi ou das fezes de repente.
  • Fizer força para urinar sem sair nada, ou estiver com a barriga inchada e dura. No gato macho, isso pode ser uma obstrução, que coloca a vida em risco em poucas horas. Ele pode miar de dor, ficar agitado ou prostrado. Vá a um pronto-socorro veterinário na hora, sem esperar o dia seguinte.
  • Tiver dificuldade para respirar.

No mesmo dia: gato que parou de comer precisa de avaliação rápida, mesmo que pareça bem. Um ou dois dias sem comer já podem causar uma doença grave no fígado, principalmente em gatos acima do peso.

Como funciona o atendimento em casa com a Movet

Um animal com dor sofre com o carro, o trânsito e a espera. Por isso, a Movet leva a fisioterapia até a sua casa, em São Paulo Capital e no Grande ABC, de segunda a sexta, das 8h às 18h.

  • Avaliação no ambiente do pet: vemos como ele anda, levanta e sobe nos móveis da própria casa.
  • Plano alinhado com o veterinário que acompanha o caso.
  • Equipamentos portáteis: laser, eletroterapia, esteira seca e acessórios de equilíbrio vão até você.
  • Orientação ao tutor: exercícios de casa e adaptações, como tapetes antiderrapantes e rampas.

Percebeu algum desses sinais? Leve seu pet ao veterinário e, se a fisioterapia fizer parte do plano, fale com a Movet para agendar uma avaliação em casa.