Blog · 14 de julho de 2025 · 5 min de leitura · por Joyce Bueno Florencio, CRMV-SP 36111

Displasia, luxação de patela e ligamento cruzado: fisioterapia em cães

Rebolar ao andar, dar “pulinhos” ou mancar de repente podem ser sinais de dor no quadril ou no joelho. Entenda cada condição e como a fisioterapia ajuda.

Buldogue inglês fazendo exercício em circuito de cones e barreiras

Pontos-chave

  • As três condições deixam quadril ou joelho instáveis e, com o tempo, podem levar à artrose.
  • Rebolar, dar “pulinhos” com a pata de trás ou sentar de lado merecem avaliação veterinária.
  • A fisioterapia ajuda na dor, na força e no equilíbrio, com ou sem cirurgia, respeitando as restrições de cada técnica.
  • Peso adequado, tapetes antiderrapantes e rampas protegem quadril e joelhos, inclusive o joelho do outro lado.

Um cão que rebola ao andar, que dá “pulinhos” com uma pata de trás ou que passou a mancar depois de uma brincadeira pode estar sentindo dor. Displasia coxofemoral, luxação de patela e ruptura do ligamento cruzado estão entre os problemas ortopédicos mais comuns em cães.

Neste artigo, você entende o que acontece em cada um deles, quais sinais observar e como a fisioterapia veterinária ajuda no tratamento, com ou sem cirurgia.

O que essas três condições têm em comum

As três afetam as patas de trás e mexem com a estabilidade de uma articulação: o quadril, na displasia, e o joelho, na luxação de patela e na ruptura do ligamento. Quando a articulação fica instável, o movimento passa a doer, o cão usa menos a pata e perde músculo. Com o tempo, pode surgir artrose. O excesso de peso piora as três condições e atrapalha a resposta à fisioterapia, por isso o controle de peso com o veterinário faz parte do plano.

É por isso que a fisioterapia tem um papel importante nas três. Os objetivos costumam ser parecidos:

  • Ajudar no controle da dor.
  • Manter ou recuperar a amplitude de movimento da articulação.
  • Fortalecer os músculos que dão estabilidade ao quadril e ao joelho.
  • Melhorar o equilíbrio e a coordenação.
  • Ajudar o cão a voltar às atividades com segurança.

O diagnóstico, a indicação de cirurgia e a medicação são sempre decisão do médico veterinário, muitas vezes junto com um ortopedista. A fisioterapia complementa esse tratamento.

Displasia coxofemoral

O quadril funciona como uma bola dentro de um encaixe. Na displasia coxofemoral, esse encaixe não se desenvolve de forma correta durante o crescimento. A articulação fica frouxa, as superfícies se desgastam de forma irregular e, com os anos, aparece a artrose.

A displasia tem forte componente genético e é mais comum em cães de porte médio e grande, embora raças como pug e buldogue também possam ser afetadas. Costuma atingir os dois quadris, às vezes com um lado pior que o outro. Crescimento muito acelerado, excesso de peso e excesso de impacto na fase de filhote podem piorar o quadro.

O que observar

  • Andar “rebolado”, com o quadril balançando de um lado para o outro.
  • Correr “pulando de coelho”, com as duas patas de trás ao mesmo tempo.
  • Rigidez ao levantar, principalmente pela manhã ou depois de descansar.
  • Manqueira que vai e volta, às vezes pior depois de exercício.
  • Recusa em subir escadas, pular no sofá ou entrar no carro.
  • Coxas mais finas, enquanto o peito e os ombros ficam mais fortes, porque o cão passa a apoiar mais o peso na frente.

Como a fisioterapia ajuda

  • Controle da dor: laserterapia e eletroterapia (TENS) podem ajudar no alívio do desconforto.
  • Fortalecimento: exercícios como sentar e levantar e transferir o peso para as patas de trás trabalham a musculatura do quadril.
  • Estímulo muscular: a eletroestimulação (NMES/FES) pode ajudar quando há perda muscular importante.
  • Terapia manual: alivia a tensão na coluna e nos ombros, que ficam sobrecarregados.
  • Equilíbrio e marcha: cones, discos, bolas e esteira seca portátil trabalham coordenação e condicionamento.

Quando há cirurgia, existem diferentes opções, como a colocefalectomia e a prótese total de quadril. A escolha depende do porte, da idade e da avaliação do cirurgião. No pós-operatório, a fisioterapia segue a liberação dele. Saiba mais no guia sobre displasia coxofemoral em cães e fisioterapia.

Luxação de patela

A patela é um pequeno osso na frente do joelho. Ela deveria deslizar dentro de um sulco do fêmur. Na luxação, a patela sai desse sulco, às vezes de vez em quando, às vezes o tempo todo.

A forma mais comum é a luxação medial, quando a patela sai para o lado de dentro do joelho. Ela é especialmente frequente em cães de pequeno porte, mas também aparece em cães grandes. A luxação lateral, para o lado de fora, é menos comum no geral, mas aparece com mais frequência em cães grandes e gigantes do que nos pequenos.

Na maioria dos casos, a causa é uma alteração no formato e no alinhamento da pata, presente desde cedo, como um sulco raso. Traumas também podem causar luxação. Com o tempo, o atrito fora do lugar pode levar a artrose.

O veterinário classifica a luxação em graus, conforme a facilidade com que a patela sai e volta ao lugar. Isso ajuda a decidir entre tratamento conservador e cirurgia.

O que observar

  • “Pulinhos” ao andar: o cão levanta uma pata de trás por alguns passos e depois volta a apoiar normalmente.
  • Manqueira que aparece e some.
  • O cão estica a pata para trás e, em seguida, volta a andar normalmente.
  • Dor ou dificuldade para dobrar o joelho, nos casos mais avançados.
  • Patas de trás arqueadas ou com os pés virados, em casos mais graves.

Como a fisioterapia ajuda

Em casos mais leves, a fisioterapia faz parte do tratamento conservador. Nos casos operados, ela ajuda na recuperação depois da cirurgia.

  • Fortalecimento: a musculatura da coxa é importante para manter o joelho estável.
  • Propriocepção e equilíbrio: exercícios com discos, bolas e barreiras ajudam o cão a ter mais consciência da posição da pata.
  • Amplitude de movimento: exercícios passivos e ativos evitam rigidez.
  • Controle da dor: laserterapia e eletroterapia, conforme o caso.
  • Terapia manual e massoterapia: aliviam a tensão dos músculos que trabalham a mais para compensar o joelho.

Ruptura do ligamento cruzado cranial

O ligamento cruzado cranial fica dentro do joelho e impede que a tíbia deslize para frente em relação ao fêmur. Quando ele se rompe, o joelho fica instável, o que causa dor, inflamação e, com o tempo, artrose. O menisco, que amortece o joelho, também pode ser lesionado.

Diferente do que acontece em pessoas, no cão a ruptura muitas vezes não vem de um único trauma. Em muitos casos, o ligamento se degenera aos poucos e se rompe em um movimento comum. Por isso, a ruptura pode começar parcial e se tornar total. Excesso de peso e a conformação da pata são fatores que aumentam o risco. Como a doença costuma afetar o ligamento dos dois lados, é comum o outro joelho também romper com o tempo. Fique atento à outra pata de trás.

O que observar

  • Manqueira de uma pata de trás, às vezes de repente, depois de correr ou brincar.
  • O cão toca o chão só com a ponta da pata ou a mantém levantada.
  • Senta de lado, com a pata afetada esticada para fora.
  • Dificuldade para levantar, subir no sofá ou entrar no carro.
  • Coxa mais fina com o tempo, pela perda de músculo.

Como a fisioterapia ajuda

Na maioria dos casos, o tratamento envolve uma cirurgia para estabilizar o joelho, como a TPLO. Em alguns cães, o veterinário pode optar pelo tratamento sem cirurgia. Nos dois caminhos, a reabilitação acontece em etapas:

  • Proteger e aliviar a dor: laserterapia, TENS, terapia manual suave e movimentos passivos feitos pelo fisioterapeuta.
  • Voltar a apoiar a pata: exercícios de transferência de peso e eletroestimulação (FES) da musculatura da coxa.
  • Fortalecer e dar equilíbrio: cinesioterapia, propriocepção e esteira seca portátil, com a liberação do cirurgião.
  • Retornar às atividades: aos poucos, sem pular etapas.

Veja as fases em detalhe no guia de fisioterapia após cirurgia de ligamento cruzado (TPLO).

Cuidados com as técnicas

Cada recurso tem indicações e contraindicações. Antes de aplicar qualquer técnica, o fisioterapeuta avalia o caso:

  • O ultrassom terapêutico não é usado sobre tumores, áreas com infecção ou placas de crescimento de filhotes. Perto de implantes metálicos, como os da TPLO, é usado com cautela, e o profissional ajusta os parâmetros para evitar aquecimento.
  • O laser e a eletroterapia também têm restrições, como regiões com tumor ou alterações de pele. A eletroterapia não é usada sobre feridas abertas ou áreas com infecção, nem em cães com marca-passo.
  • Durante o laser, o profissional usa óculos de proteção e protege os olhos do cão. Ninguém da casa deve olhar diretamente para o feixe.
  • O campo magnético pulsátil tem estudos recentes mostrando benefício no controle da dor em cães com artrose. Segue como terapia complementar, e o profissional avalia a indicação caso a caso.
  • Gelo ou calor só devem ser usados com orientação do profissional, que indica qual, quando e por quanto tempo.

Não use em casa aparelhos de fisioterapia de uso humano no seu cão sem orientação profissional.

Como funciona o atendimento em casa com a Movet

Um cão com dor no quadril ou recém-operado do joelho não deveria escorregar, pular no carro ou andar em pisos lisos. Evitar o transporte faz parte do cuidado.

A Movet atende em domicílio em São Paulo Capital e no Grande ABC, de segunda a sexta, das 8h às 18h, com equipamentos portáteis. Na prática:

  • O cão faz as sessões no ambiente que conhece.
  • Avaliamos pisos, escadas e os móveis onde ele sobe, e sugerimos adaptações realistas.
  • O tutor aprende os exercícios de casa no lugar onde vai fazê-los.
  • O plano é alinhado com o veterinário ou o cirurgião que acompanha o caso.

Em casa, no dia a dia

  • Controle o peso com a orientação do veterinário. Peso a mais sobrecarrega quadril e joelhos.
  • Cubra pisos lisos com tapetes antiderrapantes nos caminhos mais usados.
  • Use rampas para o sofá, a cama e o carro.
  • Prefira atividade regular e de baixo impacto a esforços intensos de vez em quando.
  • Evite corridas bruscas atrás de bolinha e saltos, principalmente durante a recuperação.
  • Mantenha unhas e pelos das patas aparados, para melhorar a aderência.

Quando procurar o veterinário com urgência

Procure o médico veterinário o quanto antes se o seu cão:

  • Deixar de apoiar uma pata de repente.
  • Sentir dor intensa, chorar ao ser tocado ou piorar depois de estar melhorando.
  • Começar a mancar de repente da outra pata de trás, principalmente se já teve ruptura de ligamento em um joelho.
  • Apresentar inchaço, calor, secreção ou pontos abertos no local de uma cirurgia.

Procure atendimento de emergência se ele arrastar as patas, não conseguir ficar de pé ou perder o controle do xixi ou das fezes. Esses sinais podem indicar um problema na coluna ou nos nervos, e não apenas no quadril ou no joelho.