Fisioterapia Ortopédica · por Joyce Bueno Florencio, CRMV-SP 36111

Fisioterapia no pós-operatório de fratura em cães e gatos

Depois da cirurgia, o osso precisa de tempo e de proteção para consolidar. Entenda as fases da recuperação, os sinais de alerta e como a fisioterapia em casa ajuda o seu cão ou gato a voltar a usar a pata com segurança.

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Pontos-chave

  • O osso consolida em etapas, e o prazo varia. Só o cirurgião diz quando cada atividade está liberada.
  • O animal pode parecer bem antes de o osso estar resistente. Repouso é parte do tratamento.
  • A fisioterapia respeita os implantes: cada técnica é avaliada caso a caso a partir do laudo da cirurgia.
  • Não apoiar a pata, secreção, dedos frios sob bandagem ou não urinar pedem contato imediato com o cirurgião.

Como o osso se recupera depois de uma fratura

O osso é um tecido vivo e consegue se reconstruir. Depois de uma fratura, essa reconstrução passa por etapas que se sobrepõem. Em linguagem simples:

  • Inflamação: logo após a fratura, forma-se um coágulo no local. É a fase de mais dor e inchaço.
  • Reparo: o corpo cria um "calo ósseo", uma espécie de ponte entre as partes do osso. No começo, ele é mole e frágil. Aos poucos, vai ficando firme.
  • Remodelação: o osso novo se reorganiza e ganha forma e resistência. Essa fase é longa e continua mesmo depois que o animal já parece recuperado.

A velocidade de cada etapa varia muito. Depende da idade (filhotes costumam consolidar mais rápido), do osso e do tipo de fratura, da estabilidade da fixação, do peso, da saúde geral e da presença de infecção. Por isso, não existe prazo fixo. Só o cirurgião, com exame físico e radiografias de controle, consegue dizer em que ponto está a consolidação.

Um ponto importante: o animal pode parecer bem por fora antes de o osso estar resistente por dentro.

A cirurgia e os implantes

A escolha do tratamento é sempre do médico veterinário, geralmente um ortopedista. Muitas fraturas são estabilizadas com implantes, como:

  • Placas e parafusos presos ao osso.
  • Pinos e fios metálicos, colocados dentro ou através do osso.
  • Fixador externo: pinos que atravessam a pele e o osso, ligados por barras do lado de fora da pata.

Algumas fraturas são tratadas sem cirurgia, com tala, bandagem ou apenas repouso, conforme a avaliação. É o caso, por exemplo, de certas fraturas de bacia em gatos, desde que não haja estreitamento importante do canal da bacia, o que o cirurgião avalia. Se os implantes vão ficar ou ser retirados no futuro também é uma decisão do cirurgião.

Fraturas que atingem a coluna ou lesionam nervos seguem um plano de reabilitação próprio, diferente do descrito aqui.

Repouso e liberação do cirurgião

O repouso é parte do tratamento. Um pulo ou um escorregão antes da hora pode soltar um implante ou atrasar a consolidação.

  • Cães: espaço pequeno ou cercadinho, onde não consigam correr, e saídas curtas, sempre na guia, até a liberação.
  • Gatos: gaiola ampla ou um cômodo pequeno sem móveis altos, com caixa de areia de borda baixa, água e comida ao alcance. Gatos adoram pular, e isso precisa ser impedido nessa fase.

Cada nova etapa, como tirar o animal do confinamento, liberar escadas ou atividades mais intensas, depende da liberação do cirurgião.

Se os implantes forem retirados, o osso fica mais frágil por um tempo nos pontos onde estavam os parafusos. Mesmo depois da retirada, a volta à atividade total é gradual e segue a orientação do cirurgião.

Como a fisioterapia ajuda em cada fase

A fisioterapia começa com a liberação do cirurgião e acompanha a consolidação. Os objetivos são controlar a dor, evitar que as articulações próximas fiquem rígidas, recuperar a musculatura e devolver o uso da pata com segurança.

Fase inicial: dor, inchaço e mobilidade

  • Laserterapia: usada para apoiar o conforto e a cicatrização. A ciência ainda está consolidando seus efeitos no pós-operatório de fraturas. Em filhotes, não é aplicada sobre a cartilagem de crescimento.
  • Eletroterapia (TENS): ajuda no alívio da dor, com os eletrodos longe do corte e dos implantes.
  • Movimentos passivos suaves das articulações próximas, feitos pelo fisioterapeuta, dentro do limite de conforto. Eles ajudam a evitar rigidez, uma complicação que pode ser séria em animais de qualquer idade. Em filhotes, ela pode ainda afetar o desenvolvimento da articulação. O tutor só repete em casa se tiver sido treinado.
  • Terapia manual e massoterapia suaves, nos músculos que compensam o esforço, e não sobre a fratura.
  • Campo magnético pulsátil: pode ser usado como apoio. Há estudos em cães que apoiam seu uso para dor, inchaço e consolidação óssea no pós-operatório. Os resultados são promissores, mas ainda não definitivos, e a indicação é avaliada pelo fisioterapeuta.

Fase intermediária: voltar a apoiar

  • Exercícios de transferência de peso, com o animal em pé, para estimular o apoio na pata operada.
  • Caminhadas curtas e lentas, na guia, aumentando aos poucos conforme a orientação.
  • Eletroestimulação muscular (NMES/FES): ajuda a recuperar a musculatura que perdeu volume, quando indicada.

Fase de fortalecimento

Quando as radiografias mostram consolidação suficiente e o cirurgião libera:

  • Cinesioterapia: sentar e levantar, pequenas subidas e caminhada em superfícies variadas.
  • Propriocepção e equilíbrio: cones, barreiras baixas, discos e bolas.
  • Esteira seca portátil: para treinar a marcha em ritmo controlado, principalmente em cães.

O retorno às atividades normais, como correr, brincar livre e pular, é gradual e só acontece com a liberação final do cirurgião.

Cuidados com as técnicas sobre implantes metálicos

Nem toda técnica pode ser aplicada em qualquer lugar. Alguns cuidados que seguimos:

  • O ultrassom terapêutico é evitado sobre implantes metálicos, como placas, parafusos e pinos. É uma precaução que o fisioterapeuta avalia caso a caso, pelo tipo de implante, pela profundidade e pela fase da consolidação. Ele também não é usado sobre a cartilagem de crescimento de filhotes nem sobre áreas com infecção.
  • O laser também não é aplicado sobre a cartilagem de crescimento de filhotes nem sobre áreas com suspeita de tumor.
  • Na eletroterapia, os eletrodos não são colocados sobre o corte, sobre feridas ou diretamente sobre implantes. Na eletroestimulação muscular (NMES/FES), que usa correntes mais fortes, a posição dos eletrodos é planejada com ainda mais cuidado a partir do laudo da cirurgia.
  • Nada de calor sobre a região da fratura na fase inflamatória.
  • Com fixador externo, os exercícios e o manuseio respeitam os pinos, e os cuidados com os pontos onde eles atravessam a pele seguem a orientação do cirurgião.

Antes de cada técnica, o fisioterapeuta confere o laudo da cirurgia, as radiografias e a fase da consolidação.

Particularidades dos gatos

Gatos escondem a dor. Em vez de chorar, eles se escondem, deixam de se lamber, comem menos, ficam encolhidos ou deixam de usar a caixa de areia.

Na fisioterapia, as sessões respeitam o ritmo do gato. As técnicas são aplicadas com calma, e os exercícios usam brincadeiras e petiscos. A TENS pode exigir o corte do pelo na região dos eletrodos.

Muitas fraturas em gatos acontecem em quedas de janelas e sacadas. Telas de proteção em todas as aberturas ajudam a evitar novos acidentes.

Como funciona o atendimento em casa com a Movet

Com uma fratura recente, cada transporte exige cuidado. Para gatos, a caixa de transporte e o carro costumam causar muito estresse.

No atendimento domiciliar, a Movet leva os equipamentos portáteis até a sua casa, em São Paulo Capital e no Grande ABC. Assim:

  • O animal não precisa sair do confinamento para ser transportado.
  • Ele é atendido no ambiente que conhece, o que costuma ajudar na colaboração.
  • Vemos o espaço do repouso, os pisos e os móveis, e ajustamos as orientações à sua casa.
  • O tutor aprende os cuidados no lugar onde vai fazê-los.

Conheça as técnicas na página de serviços de fisioterapia veterinária e veja outras dúvidas no FAQ.

O que não fazer em casa

  • Não tire, molhe ou ajuste a tala ou a bandagem por conta própria.
  • Não massageie nem aperte a região da fratura.
  • Não use bolsas quentes ou compressas sem orientação.
  • Não dê remédios por conta própria. O paracetamol, por exemplo, é extremamente tóxico para gatos, e vários remédios humanos fazem mal a cães.
  • Não libere pulos, escadas e brincadeiras só porque o animal parece bem.
  • Não deixe o animal lamber ou morder o corte. Use o colar ou a roupa indicada.

Sinais de alerta: quando procurar o cirurgião com urgência

Entre em contato com o cirurgião ou com o veterinário responsável se perceber:

  • O animal deixa de apoiar a pata ou piora de repente, principalmente depois de estar melhorando.
  • Inchaço, vermelhidão, calor, secreção ou mau cheiro no local da cirurgia, ou pontos abertos. Secreção pode ser sinal de infecção, inclusive do osso, que precisa de tratamento rápido.
  • Algo duro "espetando" sob a pele, um implante aparecendo ou pinos do fixador frouxos ou com secreção.
  • A pata muda de formato, fica torta ou parece instável.
  • Dedos inchados, frios ou arroxeados abaixo de uma bandagem. A bandagem pode estar apertada e prejudicando a circulação: avise na hora. Também avise se a bandagem estiver molhada, deslocada ou com mau cheiro.
  • Dor forte que não melhora com a medicação prescrita.
  • Febre, apatia ou falta de apetite. Gato que para de comer precisa de avaliação rápida: mesmo poucos dias sem comer podem causar uma complicação grave no fígado.
  • Dificuldade ou incapacidade de fazer xixi, urina com sangue ou nenhuma urina, principalmente depois de fraturas de bacia ou atropelamentos. Pode haver lesão na bexiga ou na uretra.
  • Dificuldade para fazer cocô, que pode indicar estreitamento do canal da bacia.
  • Dificuldade para respirar.

Esses sinais precisam ser avaliados pela equipe que operou. A fisioterapia segue sempre em conjunto com o cirurgião, nunca no lugar dele.

Perguntas frequentes

Quanto tempo um osso leva para consolidar?

Não existe prazo fixo. Depende da idade, do osso, do tipo de fratura, da fixação usada e da saúde do animal. Filhotes costumam consolidar mais rápido. Só o cirurgião, com exame e radiografias de controle, diz em que ponto está a consolidação.

A fisioterapia pode ser feita com placa e parafusos?

Sim, com cuidados. Várias técnicas podem ser usadas no pós-operatório, mas algumas pedem precaução perto de implantes metálicos. O ultrassom terapêutico, por exemplo, é evitado sobre placas, parafusos ou pinos, e o fisioterapeuta avalia cada caso a partir do laudo da cirurgia e das radiografias.

Quando começar a fisioterapia depois da cirurgia de fratura?

O início depende da liberação do cirurgião. Nas primeiras fases, as técnicas são suaves e voltadas à dor, ao inchaço e à mobilidade das articulações próximas. Os exercícios de fortalecimento só entram quando a consolidação permite.

Gato faz fisioterapia depois de fratura?

Faz. As sessões respeitam o ritmo do gato, com técnicas aplicadas com calma e exercícios feitos com brincadeiras e petiscos. O atendimento em casa evita o estresse do transporte, o que costuma ajudar muito com gatos.