Fisioterapia Neurológica · por Joyce Bueno Florencio, CRMV-SP 36111

Hérnia de disco em cães: sinais, tratamento e fisioterapia em casa

A hérnia de disco pode causar dor, fraqueza e até perda dos movimentos das patas. Entenda os sinais, como o veterinário decide o tratamento e como a fisioterapia em casa ajuda na recuperação.

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Pontos-chave

  • A hérnia de disco pode causar dor, fraqueza ou paralisia. Até sinais leves merecem avaliação veterinária rápida.
  • Cão que perde o movimento ou a sensação das patas precisa de veterinário de emergência: cada hora faz diferença.
  • A fisioterapia em casa complementa o tratamento médico e nunca substitui a cirurgia quando ela é necessária.
  • Repouso, peitoral, rampas e tapetes antiderrapantes protegem a coluna, também depois que o cão volta a andar.

O que é a hérnia de disco em cães

A coluna do cão é formada por vértebras. Entre uma vértebra e outra existe um disco que funciona como um amortecedor. Com o tempo, ou por características da raça, esse disco pode se degenerar e perder a flexibilidade.

Quando parte do disco sai do lugar e pressiona a medula espinhal ou as raízes nervosas, chamamos de hérnia de disco. O nome técnico é doença do disco intervertebral (DDIV). A pressão sobre a medula causa dor e pode atrapalhar a comunicação entre o cérebro e as patas.

A hérnia pode aparecer de duas formas principais:

  • De forma súbita: o conteúdo do disco é expulso de repente. É mais comum nas chamadas raças condrodistróficas, que têm uma característica genética que faz os discos envelhecerem mais cedo, como dachshund (salsicha), shih tzu, lhasa apso, buldogue francês e beagle. Muitas vezes acontece em cães jovens ou adultos.
  • De forma gradual: o disco vai se projetando aos poucos. Costuma aparecer em cães mais velhos e de porte maior, com sinais que pioram devagar.

A hérnia pode acontecer no pescoço (região cervical) ou nas costas (regiões torácica e lombar), e o local muda os sinais que o tutor percebe.

Sinais que o tutor percebe

Nem toda hérnia começa com o cão sem andar. Muitas vezes os primeiros sinais são de dor. Fique atento se o seu cão:

  • Chora ou grita ao ser pego no colo ou ao ser tocado nas costas ou no pescoço.
  • Anda com as costas arqueadas (curvadas para cima) ou com a cabeça baixa.
  • Evita subir no sofá, na cama ou na escada, ou treme sem motivo aparente.
  • Fica parado, mais quieto e reluta em se movimentar.
  • Anda cambaleando, cruza as patas de trás ou arrasta as unhas no chão.
  • Apoia o dorso da pata no chão, como se a pata estivesse "virada".
  • Perde a força nas patas de trás (ou nas quatro, em hérnias no pescoço).
  • Tem dificuldade para fazer xixi ou passa a fazer sem controle.

Mesmo os sinais leves merecem uma avaliação veterinária rápida, porque a hérnia pode piorar.

Os graus da hérnia de disco, em linguagem simples

O veterinário costuma classificar a hérnia em graus, conforme o exame neurológico. Isso ajuda a escolher o tratamento. De forma simplificada:

  • Grau 1: o cão sente dor, mas anda normalmente.
  • Grau 2: o cão anda, mas com fraqueza ou falta de coordenação.
  • Grau 3: o cão ainda mexe as patas, mas não consegue andar sozinho.
  • Grau 4: o cão não mexe as patas afetadas, mas ainda sente dor profunda quando o veterinário testa.
  • Grau 5: o cão não mexe as patas e também não demonstra dor profunda. É a situação mais grave.

Cães nos graus mais altos, principalmente no grau 5, precisam de atendimento veterinário de emergência, de preferência nas primeiras horas: existe risco de a lesão na medula ficar irreversível. Não espere para marcar consulta.

Só o médico veterinário consegue avaliar esses graus com segurança, incluindo o teste de dor profunda.

Como é o tratamento: conservador ou cirúrgico

A decisão sobre o tratamento é sempre do médico veterinário responsável, muitas vezes com apoio de um neurologista. Ela considera o grau da hérnia, a evolução, os exames de imagem e a saúde geral do cão.

Tratamento conservador: costuma ser considerado em casos mais leves, em que o cão ainda anda, ou quando a cirurgia não é possível. Envolve repouso restrito em espaço pequeno, controle da dor com medicação prescrita pelo veterinário e acompanhamento de perto. O repouso é parte do tratamento, e não um detalhe.

Tratamento cirúrgico: em cães que não conseguem andar ou que perderam a dor profunda, a cirurgia é o tratamento recomendado pelos consensos veterinários internacionais. Ela também pode ser indicada quando os sinais pioram ou a dor não melhora com o tratamento clínico. A cirurgia retira o material do disco que comprime a medula.

Nos casos graves, o tempo conta: quanto mais cedo a medula é aliviada, melhores costumam ser as chances. "Esperar para ver se melhora" não é uma boa opção quando o cão parou de andar.

Nos dois caminhos, a fisioterapia pode fazer parte do plano, sempre em conjunto com o veterinário que acompanha o caso.

Como a fisioterapia ajuda

A fisioterapia complementa o tratamento médico e nunca ocupa o lugar da cirurgia quando ela é necessária. Os objetivos são controlar a dor, proteger a coluna, manter a musculatura e estimular o retorno dos movimentos.

No tratamento conservador

Aqui, as técnicas respeitam o repouso indicado pelo veterinário e não sobrecarregam a coluna:

  • Laserterapia: auxilia no controle da dor e da inflamação.
  • Eletroterapia (TENS): ajuda no alívio da dor.
  • Terapia manual e massoterapia: reduzem a tensão dos músculos que ficam contraídos por causa da dor. São técnicas suaves nos músculos e não envolvem "estalar" ou manipular as vértebras.
  • Campo magnético pulsátil: pode ser usado como apoio no controle da dor e da inflamação. A ciência ainda estuda melhor seus efeitos na hérnia de disco.
  • Exercícios passivos: movimentos suaves das articulações das patas, feitos pelo fisioterapeuta, para manter a amplitude de movimento e o conforto. Ainda não se sabe se aceleram a recuperação, mas fazem parte do cuidado.

No pós-operatório

Após a cirurgia, e com a liberação do cirurgião, a fisioterapia ajuda na recuperação da força e da coordenação:

  • Laserterapia: também pode ser usada na região da cirurgia, como apoio à cicatrização e ao conforto. Quando começar e com que dose é definido conforme a cicatrização, em alinhamento com o cirurgião.
  • Eletroterapia (FES): estimula a contração dos músculos enquanto o cão ainda não consegue movê-los bem sozinho. É usada quando indicada, e a ciência ainda está consolidando seus resultados em cães.
  • Cinesioterapia: exercícios terapêuticos como ficar em pé com apoio, transferir o peso de uma pata para outra e dar os primeiros passos assistidos.
  • Propriocepção e equilíbrio: com o avanço da recuperação, usamos discos, bolas, cones e pequenas barreiras para o cão voltar a "sentir" onde estão as patas.
  • Esteira seca portátil: em fases mais avançadas, ajuda a treinar o padrão de marcha com ritmo controlado.

O tempo de recuperação varia muito. Depende do grau da hérnia, de quanto tempo a medula ficou comprimida e da resposta de cada cão. Não existe prazo fixo, e reavaliamos a evolução a cada etapa.

Como funciona o atendimento em casa com a Movet

Um cão com hérnia de disco sente dor e não pode fazer esforço. O carro, o trânsito e a espera em uma clínica podem ser desconfortáveis e até arriscados para a coluna.

No atendimento domiciliar, a Movet leva os equipamentos portáteis até a sua casa, em São Paulo Capital e no Grande ABC. Assim:

  • O cão não precisa ser transportado.
  • Ele é atendido onde se sente seguro e fica mais tranquilo.
  • Vemos onde ele dorme, por onde anda e o tipo de piso, e orientamos o tutor no próprio espaço.

A primeira visita começa com uma avaliação do histórico, dos exames e do encaminhamento do veterinário, e com um plano de sessões. Conheça as técnicas na página de serviços de fisioterapia veterinária.

Cuidados em casa

O que acontece entre as sessões faz muita diferença. Algumas orientações gerais:

  • Respeite o repouso indicado pelo veterinário. Um espaço pequeno, como um cercadinho, evita pulos e corridas.
  • Nada de pular no sofá, na cama ou descer escadas. Use rampas ou pegue o cão no colo da forma correta.
  • Pegue no colo com apoio no peito e no quadril ao mesmo tempo, mantendo a coluna reta.
  • Use tapetes antiderrapantes em pisos lisos, como porcelanato e cerâmica.
  • Prefira peitoral em vez de coleira no pescoço em qualquer caso de hérnia de disco, e principalmente nas hérnias cervicais.
  • Controle o peso. Quilos a mais aumentam a carga sobre a coluna.

Se o cão não consegue se mexer sozinho

  • Proteja a pele. Use cama macia e grossa e mude o cão de posição a cada poucas horas, conforme a orientação. Confira todo dia a pele sobre os ossos salientes (quadril, cotovelos, joelhos, tornozelos) e mostre ao veterinário qualquer vermelhidão ou ferida.
  • Mantenha a região íntima limpa e seca se houver escape de xixi ou de fezes.
  • Cuide da bexiga. Alguns cães não conseguem esvaziá-la sozinhos. Bexiga cheia por muito tempo pode causar infecção urinária e, em casos extremos, lesão grave da própria bexiga. Siga à risca a orientação do veterinário sobre como e quando esvaziá-la.

O que não fazer em casa

  • Não coloque compressas quentes nem bolsas térmicas nas costas ou no pescoço na fase de dor.
  • Não massageie com força, não "estale" e não tente manipular a coluna.
  • Não dê remédios por conta própria nem mude as doses.
  • Não libere corridas e pulos só porque a dor melhorou. O repouso vale pelo tempo indicado.

Depois da recuperação

Cães com predisposição, como os de raças condrodistróficas, podem ter uma nova hérnia em outro disco ao longo da vida. Rampas, peitoral e peso adequado continuam valendo depois que o cão volta a andar.

Quando procurar ajuda com urgência

A hérnia de disco pode piorar rápido. Procure o médico veterinário imediatamente se o seu cão:

  • Perder de repente a capacidade de andar ou de mexer as patas.
  • Piorar em poucas horas, mesmo já em tratamento.
  • Não conseguir fazer xixi ou ficar com a barriga inchada, dura ou dolorida.
  • Sentir dor intensa que não melhora com a medicação prescrita.
  • Apresentar dificuldade para respirar.
  • Tiver perdido o movimento das patas de trás e, nos dias seguintes, passar a ter fraqueza também nas patas da frente, respiração difícil ou febre, mesmo depois da cirurgia.

Esse último quadro pode indicar uma lesão da medula que continua avançando (mielomalácia), complicação muito grave e que pode ser fatal. Cães com hérnia grave pedem atenção redobrada nos primeiros dias.

Nessas situações, a prioridade é o atendimento veterinário de urgência. A fisioterapia entra depois, junto com a equipe que acompanha o caso.

Perguntas frequentes

Cão com hérnia de disco volta a andar?

Depende do grau da hérnia, do tempo de compressão da medula e da resposta de cada cão. Muitos cães recuperam os movimentos com o tratamento indicado pelo veterinário e com a reabilitação, mas não é possível garantir o resultado. O veterinário responsável é quem avalia o prognóstico de cada caso.

Toda hérnia de disco precisa de cirurgia?

Não. Em casos mais leves, em que o cão ainda anda, o veterinário pode indicar tratamento conservador, com repouso restrito e medicação. Em cães que não conseguem andar ou que perderam a dor profunda, a cirurgia é o tratamento recomendado, e quanto mais cedo, melhor. A decisão é sempre do veterinário ou do neurologista.

Quando posso começar a fisioterapia depois da cirurgia de coluna?

O início depende da liberação do cirurgião e do estado do cão. Nas primeiras fases, as técnicas são suaves e focadas em dor e conforto, e os exercícios avançam aos poucos. Na avaliação, a Movet alinha o plano com as orientações da equipe que operou.

Fisioterapia pode ser feita durante o repouso do tratamento conservador?

Sim, desde que respeite as restrições indicadas pelo veterinário. Nessa fase, usamos técnicas que não sobrecarregam a coluna, como laserterapia, TENS, terapia manual suave (sem manipular as vértebras) e exercícios passivos. O atendimento em casa evita o transporte, o que ajuda a manter o repouso.