Fisioterapia Ortopédica · por Joyce Bueno Florencio, CRMV-SP 36111

Luxação de patela em cães: graus, tratamento e fisioterapia em casa

A patela que sai do lugar é comum em cães pequenos e pode causar manqueira que vai e vem. Entenda os graus, como o veterinário decide o tratamento e como a fisioterapia em casa ajuda.

Agende uma avaliação em casa

Pontos-chave

  • A luxação de patela é comum em cães pequenos e causa manqueira que vai e vem, com pulinhos.
  • O veterinário classifica em quatro graus e decide entre tratamento conservador e cirurgia; a patela pode voltar a sair.
  • A fisioterapia fortalece e dá estabilidade, mas não recoloca a patela no lugar.
  • Piora súbita ou joelho operado que não dobra são sinais de urgência: fale com o veterinário.

O que é a luxação de patela

A patela é um pequeno osso na frente do joelho, que muitos tutores conhecem como "rótula". Ela desliza dentro de um sulco do fêmur (osso da coxa) cada vez que o cão dobra e estica a pata de trás.

Na luxação de patela, esse osso sai do sulco. Ele pode escapar e voltar sozinho, ou ficar fora do lugar o tempo todo. Enquanto a patela está fora, o joelho perde parte da força para esticar a pata, e o cão pode mancar ou andar alguns passos com a pata levantada.

Na maioria dos cães, a patela escapa para o lado de dentro do joelho. É a luxação medial. Ela é muito comum em raças pequenas e miniatura, como lulu da pomerânia (spitz alemão anão), yorkshire, poodle toy, chihuahua e maltês. Também aparece em cães médios e grandes. Mesmo neles, a luxação medial continua sendo a mais comum. A luxação para o lado de fora (lateral) só é vista com mais frequência nos cães maiores do que nos pequenos, em que é rara.

Os gatos também podem ter luxação de patela, embora seja menos comum. Se o seu gato mostrar sinais parecidos, leve-o ao veterinário.

Na maior parte das vezes, a luxação está ligada ao formato dos ossos e ao alinhamento da pata, com um componente hereditário. Por isso, costuma se manifestar durante o crescimento, nos primeiros meses ou anos de vida, à medida que os ossos tomam forma. Pancadas e quedas também podem causar o problema. Um ou os dois joelhos podem ser afetados.

Sinais que o tutor percebe

  • O cão dá alguns "pulinhos" com uma pata de trás levantada e depois volta a andar normalmente.
  • Estica a pata para trás de repente durante a caminhada. Às vezes, esse movimento faz a patela voltar ao lugar.
  • Manca de forma intermitente: a manqueira vai e vem.
  • Evita pular no sofá, correr ou subir escadas.
  • Nos casos mais avançados, as patas de trás ficam arqueadas: os joelhos se afastam do corpo e os dedos viram para fora.

Muitos cães com luxação leve não mostram nenhum sinal, e o problema é descoberto em uma consulta de rotina. Em cães adultos que já têm luxação, uma manqueira forte e repentina pode indicar outra lesão no joelho, como a ruptura do ligamento cruzado. Vale levar para reavaliação. A luxação de longa data sobrecarrega o joelho e aumenta o risco de o ligamento cruzado romper com o tempo, mais um motivo para manter o acompanhamento.

Os graus da luxação, em linguagem simples

O veterinário classifica a luxação em quatro graus, de acordo com o exame do joelho. De forma simplificada:

  • Grau 1: o veterinário consegue tirar a patela do lugar com a mão, mas ela volta sozinha assim que é solta. Muitas vezes o cão não tem sinais.
  • Grau 2: a patela sai do lugar sozinha em alguns movimentos e volta quando o cão estica a pata ou quando é recolocada. É o grau típico do "pulinho" ocasional.
  • Grau 3: a patela fica fora do lugar a maior parte do tempo. O veterinário consegue recolocá-la com a mão, mas ela escapa de novo.
  • Grau 4: a patela fica fora do lugar o tempo todo e não pode ser recolocada com a mão. Costuma haver deformidade importante da pata e dificuldade para andar.

O grau nem sempre corresponde ao quanto o problema incomoda o cão. Só o veterinário avalia com segurança, com o exame físico e, em geral, radiografias.

Tratamento conservador ou cirúrgico

A escolha do tratamento é sempre do médico veterinário responsável, muitas vezes com apoio de um ortopedista. Ele considera o grau, os sinais, a idade, o porte e a presença de outras lesões no joelho.

Tratamento conservador: costuma ser considerado em graus mais baixos, quando o cão tem poucos sinais ou nenhum. Envolve controle de peso, exercício orientado, fisioterapia e, quando necessário, remédio para dor prescrito pelo veterinário.

Tratamento cirúrgico: costuma ser indicado quando a manqueira é frequente ou persistente, nos graus mais altos e em cães jovens em que a deformidade pode piorar com o crescimento. A cirurgia pode combinar diferentes técnicas, como aprofundar o sulco onde a patela desliza, reposicionar o ponto em que o tendão da patela se prende na tíbia (geralmente fixado com pinos ou fios metálicos) e ajustar os tecidos ao redor do joelho. Em deformidades maiores, pode ser preciso corrigir o próprio osso.

Uma patela que sai do lugar com frequência desgasta a cartilagem do joelho com o tempo, o que favorece a artrose. Por isso, o acompanhamento veterinário continua importante.

Mesmo depois da cirurgia, a patela pode voltar a sair do lugar em alguns casos, principalmente nos graus mais altos e em cães muito pequenos. Por isso, as revisões com o cirurgião nas semanas e meses seguintes fazem parte do tratamento.

Como a fisioterapia ajuda

A fisioterapia não recoloca a patela no lugar e não corrige o formato dos ossos. O objetivo é dar força, estabilidade e conforto ao joelho, e ajudar o cão a usar a pata de forma correta. Se os sinais piorarem, o veterinário reavalia a necessidade de cirurgia.

No tratamento conservador

  • Cinesioterapia: exercícios como sentar e levantar, transferir o peso para as patas de trás e caminhar devagar em pequenas subidas. Eles fortalecem a coxa e o quadril de forma controlada. O plano é individual, porque alguns movimentos, como giros bruscos, podem favorecer a luxação.
  • Propriocepção e equilíbrio: cones, pequenas barreiras, discos e bolas de equilíbrio, para o cão ganhar coordenação e controle da pata.
  • Esteira seca portátil: caminhada em ritmo constante, que ajuda a trabalhar o padrão de marcha.
  • Eletroestimulação muscular (NMES): pode ajudar a manter ou recuperar a musculatura da coxa quando há perda de músculo. A indicação depende da avaliação. A ciência ainda está consolidando seus resultados em cães, mas os primeiros resultados no pós-operatório são favoráveis.
  • Laserterapia: usada quando há dor ou inflamação, por exemplo em cães que já têm artrose no joelho.
  • TENS (eletroterapia para dor): pode complementar o controle da dor. Os estudos específicos em cães ainda são poucos, e o uso depende da avaliação.
  • Terapia manual e massoterapia: aliviam a tensão dos músculos que ficam sobrecarregados, como os da coluna e das patas da frente.

No pós-operatório

A fisioterapia começa com a liberação do cirurgião e avança em etapas, conforme a cicatrização e a consolidação do osso:

  • No início: o foco é dor, inchaço e conforto. Entram laserterapia (a ciência ainda está consolidando seus efeitos nessa fase), TENS (com poucos estudos específicos em cães), terapia manual suave nos músculos que compensam o esforço e movimentos passivos do joelho, feitos pelo fisioterapeuta dentro do limite de conforto. O tutor só repete esses movimentos em casa se tiver sido treinado para isso.
  • Depois: exercícios para o cão voltar a apoiar a pata com confiança, como transferência de peso e caminhadas curtas na guia, e estímulo da musculatura da coxa.
  • Por fim: com nova liberação do cirurgião, fortalecimento, propriocepção e esteira seca.

Cada técnica respeita os implantes da cirurgia. O ultrassom terapêutico, por exemplo, é usado com cuidado perto de pinos, fios ou placas metálicas, e a decisão de aplicá-lo é do fisioterapeuta, caso a caso. Se os dois joelhos forem afetados, o plano também leva em conta a pata que está recebendo mais carga.

Como funciona o atendimento em casa com a Movet

Muitos cães com luxação de patela são pequenos e ficam agitados no carro ou em ambientes cheios de estímulos. Depois da cirurgia, cada escorregão na saída de casa também preocupa.

No atendimento domiciliar, a Movet leva os equipamentos portáteis até a sua casa, em São Paulo Capital e no Grande ABC. Assim:

  • O cão não precisa ser transportado.
  • Ele faz as sessões no ambiente que conhece, o que costuma ajudar na colaboração.
  • Vemos os pisos, o sofá, a cama e as escadas onde ele costuma pular, e sugerimos adaptações realistas.
  • O tutor aprende os exercícios de casa no lugar onde vai fazê-los.

Para ver como a fisioterapia atua em outras lesões de joelho, leia também o guia sobre fisioterapia após cirurgia de ligamento cruzado.

Cuidados em casa

  • Controle o peso. Quilos a mais aumentam a carga sobre os joelhos e aceleram o desgaste da cartilagem, o que favorece a artrose. Converse com o veterinário sobre o peso ideal.
  • Use rampas ou degraus para o sofá e a cama, e evite que o cão pule.
  • Cubra pisos lisos com tapetes antiderrapantes nos caminhos mais usados.
  • Prefira passeios regulares e moderados, em vez de muita atividade de uma vez só.
  • Evite brincadeiras com giros bruscos, freadas e ficar em pé nas patas de trás.
  • Depois da cirurgia, siga o repouso indicado: espaço pequeno ou cercadinho e passeios curtos, sempre na guia, até a liberação do cirurgião.
  • Proteja o corte cirúrgico com o colar ou a roupa indicada, para evitar lambeduras.

O que não fazer em casa

  • Não tente colocar a patela no lugar com a mão.
  • Não dê remédios por conta própria. Vários remédios de dor de uso humano são tóxicos para cães.
  • Não libere pulos e corridas depois da cirurgia só porque o cão parece bem. Cada etapa depende da liberação do cirurgião.

Quando procurar o veterinário com urgência

Entre em contato com o veterinário ou com o cirurgião se o seu cão:

  • Deixar de apoiar a pata ou piorar de repente, principalmente depois de estar melhorando.
  • Tiver inchaço, vermelhidão, calor, secreção ou mau cheiro no local da cirurgia, ou pontos abertos.
  • Apresentar uma saliência dura ou algo "espetando" sob a pele perto do joelho operado, que pode ser um pino fora do lugar.
  • Mostrar o joelho travado ou a patela saindo do lugar de novo depois da cirurgia.
  • Não conseguir dobrar o joelho operado, com a pata rígida e esticada. É uma complicação que precisa de atenção imediata.
  • Sentir dor forte, chorar ao ser tocado ou não melhorar com a medicação prescrita.
  • Começar a mancar de repente da outra pata de trás.
  • Tiver febre, falta de apetite ou apatia.

Esses sinais precisam ser avaliados pela equipe que acompanha o caso. A fisioterapia segue sempre em conjunto com o veterinário, nunca no lugar dele.

Perguntas frequentes

Luxação de patela grau 1 ou 2 precisa de cirurgia?

Nem sempre. Em graus mais baixos, com poucos sinais, o veterinário pode indicar tratamento conservador, com controle de peso, exercício orientado e fisioterapia. Se a manqueira ficar frequente ou piorar, ele reavalia. A decisão é sempre do veterinário ou do ortopedista.

A fisioterapia coloca a patela de volta no lugar?

Não. A fisioterapia não corrige o formato dos ossos nem prende a patela no sulco. Ela fortalece a musculatura, melhora o controle da pata e ajuda no conforto. Quando a luxação causa sinais frequentes, a cirurgia pode ser necessária.

Quando começar a fisioterapia depois da cirurgia de patela?

O início depende da liberação do cirurgião e do estado do cão. No começo, as técnicas são suaves e voltadas à dor e ao conforto. Os exercícios avançam aos poucos, conforme a cicatrização e a consolidação do osso, sempre alinhados com a equipe que operou.

Meu cão pequeno dá pulinhos com a pata de trás. É luxação de patela?

Pode ser, mas outros problemas também causam manqueira. Esse sinal merece uma consulta com o veterinário, que examina o joelho e, se necessário, pede radiografias. Não tente mexer na patela em casa.