Fisioterapia Ortopédica · por Joyce Bueno Florencio, CRMV-SP 36111

Displasia coxofemoral em cães: sinais, tratamento e fisioterapia

A displasia coxofemoral afeta o encaixe do quadril e pode causar dor e perda de mobilidade. Entenda os sinais em cada fase da vida e como a fisioterapia em casa ajuda no dia a dia.

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Pontos-chave

  • A displasia coxofemoral tem forte componente genético e deixa o quadril instável, levando a dor e artrose com o tempo.
  • Sinais variam com a idade: filhotes podem correr "pulando de coelho"; adultos ficam rígidos, mancam e perdem músculo nas coxas.
  • Nem todo cão precisa de cirurgia: controle de peso, exercício regular e fisioterapia fazem diferença no dia a dia.
  • Arrastar as patas, perder o controle do xixi ou não conseguir ficar de pé pedem atendimento de emergência.

O que é a displasia coxofemoral

A articulação coxofemoral é o quadril. Ela funciona como uma bola dentro de um encaixe: a cabeça do fêmur (osso da coxa) se encaixa em uma cavidade da bacia chamada acetábulo.

Na displasia coxofemoral, esse encaixe não se desenvolve da forma correta durante o crescimento. A articulação fica frouxa e instável. Com o movimento, as superfícies se desgastam de forma irregular, o que causa dor, inflamação e, com o tempo, artrose.

A displasia tem forte componente genético e é mais comum em cães de porte médio e grande, como labrador, golden retriever, pastor alemão e rottweiler. Mas pode aparecer em cães de qualquer tamanho, inclusive em sem raça definida. Fatores como crescimento muito acelerado, excesso de peso e excesso de impacto na fase de crescimento podem influenciar o quadro.

A alimentação do filhote também importa. Dietas com excesso de calorias ou de cálcio podem acelerar a doença, mesmo em um filhote que não parece gordo. Converse com o veterinário sobre a ração adequada, principalmente para filhotes de raças grandes, e não acrescente suplementos de cálcio por conta própria.

Geralmente, os dois lados do quadril são afetados, mas um pode estar pior do que o outro.

Sinais que o tutor percebe, conforme a idade

Em filhotes e cães jovens

Os sinais podem aparecer ainda na fase de crescimento, quando a frouxidão da articulação causa dor:

  • Corre "pulando de coelho", com as duas patas de trás ao mesmo tempo.
  • Cansa rápido nas brincadeiras e deita com frequência durante o passeio.
  • Tem dificuldade para levantar ou reluta em subir escadas.
  • Anda rebolando, com o quadril balançando de um lado para o outro.
  • Senta de forma torta ou com as patas de trás abertas.

Em cães adultos e idosos

Mais tarde, os sinais costumam estar ligados à artrose que se desenvolveu ao longo dos anos:

  • Rigidez ao levantar, principalmente pela manhã ou depois de descansar.
  • Manca de uma ou das duas patas de trás, às vezes pior depois de exercício.
  • Recusa pular no carro, no sofá ou na cama.
  • Perde músculo nas coxas, enquanto os ombros e o peito ficam mais desenvolvidos, porque o cão passa a apoiar mais o peso na frente.
  • Escorrega com facilidade em pisos lisos.
  • Fica menos disposto a passear e brincar.

Alguns cães com displasia mostram poucos sinais por muito tempo. Outros sentem dor desde cedo. O quadro varia bastante de cão para cão.

Outros problemas, como doenças da coluna ou dos nervos, podem causar sinais parecidos. Só o veterinário consegue diferenciar.

Como é o tratamento

O diagnóstico é feito pelo médico veterinário, com exame físico e radiografia do quadril. É ele, muitas vezes junto com um ortopedista, quem decide o melhor caminho para cada cão, considerando a idade, o grau da displasia, a dor e o estilo de vida.

Manejo conservador

É indicado em muitos cães, principalmente quando os sinais são controláveis. Costuma combinar:

  • Controle de peso.
  • Exercício regular e de baixo impacto.
  • Controle da dor com medicação prescrita pelo veterinário. Nunca dê remédio de dor de uso humano: vários são tóxicos para cães.
  • Fisioterapia.
  • Adaptações da casa.

Tratamento cirúrgico

Existem diferentes cirurgias, e a escolha depende muito da idade e da fase da doença. Algumas são feitas em cães jovens, para melhorar o encaixe do quadril antes que a artrose avance:

  • Sinfisiodese púbica juvenil: feita em filhotes bem novos, até por volta dos 4 meses. Ela muda o crescimento da bacia para que o encaixe cubra melhor a cabeça do fêmur.
  • Osteotomias pélvicas: feitas em cães jovens, ainda sem artrose avançada. O cirurgião corta e reposiciona parte da bacia para melhorar o encaixe.

Como essas cirurgias têm uma janela de idade, o diagnóstico precoce é tão importante. Em cães adultos, as opções incluem a prótese total de quadril e a retirada da cabeça e do colo do fêmur (colocefalectomia), que elimina o atrito doloroso entre os ossos. A indicação é sempre do cirurgião.

Como a fisioterapia ajuda

Os objetivos da fisioterapia na displasia são controlar a dor, manter ou ganhar amplitude de movimento e fortalecer a musculatura que dá estabilidade ao quadril. Músculos fortes ajudam a proteger a articulação.

No manejo conservador

  • Laserterapia: auxilia no controle da dor e da inflamação.
  • Eletroterapia (TENS): ajuda no alívio da dor. A resposta varia de cão para cão.
  • Eletroestimulação muscular (NMES/FES): ajuda a manter ou recuperar a musculatura das coxas, quando indicada, especialmente em cães com perda muscular importante.
  • Terapia manual e massoterapia: reduzem a tensão muscular, inclusive na coluna e nos ombros, que ficam sobrecarregados.
  • Ultrassom terapêutico e campo magnético pulsátil: podem ser usados como apoio no controle da dor e da inflamação. A ciência ainda está consolidando seus efeitos na displasia, e o fisioterapeuta decide se e quando são adequados. O ultrassom tem contraindicações, como regiões com implantes metálicos.
  • Cinesioterapia: exercícios como sentar e levantar, transferência de peso para as patas de trás e caminhadas controladas.
  • Propriocepção e equilíbrio: cones, pequenas barreiras, discos e bolas de equilíbrio para trabalhar coordenação e força.
  • Esteira seca portátil: caminhada em ritmo constante, que ajuda a trabalhar a marcha e o condicionamento.

Antes de cada técnica, o fisioterapeuta verifica se há contraindicações, como tumores ou infecções de pele. Não use aparelhos de fisioterapia de uso humano no cão sem orientação profissional.

No pós-operatório

Depois da cirurgia, a fisioterapia segue as orientações e a liberação do cirurgião. No começo, o foco é dor, conforto e movimentos suaves. Depois, entram os exercícios para o cão voltar a apoiar a pata e recuperar a musculatura. Na colocefalectomia, por exemplo, o fortalecimento dos músculos ao redor do quadril é uma parte importante da recuperação. O ritmo de cada fase varia de caso a caso.

Como funciona o atendimento em casa com a Movet

Muitos cães com displasia são de porte grande. Colocar um cão pesado e com dor no carro pode ser difícil para ele e para o tutor.

No atendimento domiciliar da Movet, em São Paulo Capital e no Grande ABC, levamos os equipamentos até a sua casa. Com isso:

  • O cão não precisa ser transportado.
  • Ele faz as sessões em um ambiente conhecido, onde costuma ficar mais calmo.
  • Avaliamos os pisos, as escadas, a cama e os locais onde ele sobe, e sugerimos adaptações realistas para o seu espaço.
  • Ensinamos ao tutor os exercícios de casa no lugar onde eles serão feitos.

Saiba mais sobre esse formato de atendimento em fisioterapia veterinária domiciliar em SP.

Controle de peso

O controle de peso é uma das medidas mais importantes no cuidado do cão com displasia. Cada quilo a mais aumenta a carga sobre o quadril e a dor. Converse com o veterinário sobre o peso ideal do seu cão, a quantidade de ração e os petiscos. Mantenha o cão mais magro, com as costelas fáceis de sentir ao toque, conforme orientação profissional.

Exercícios e adaptações da casa

Exercícios

  • Prefira regularidade. Passeios moderados todos os dias são melhores do que longas caminhadas só no fim de semana.
  • Evite impacto. Saltos, corridas bruscas atrás de bolinha e freadas repentinas sobrecarregam o quadril.
  • Varie o terreno com cuidado. Caminhar na grama ou na terra costuma ser mais confortável do que no asfalto.
  • Faça os exercícios orientados na frequência combinada com a fisioterapia.
  • Respeite os dias ruins. Se o cão está mais rígido ou dolorido, reduza a atividade e avise o profissional.
  • Gelo ou calor só com orientação. Compressas podem ajudar em alguns momentos, mas o fisioterapeuta indica qual usar, quando e por quanto tempo, para não piorar a dor nem machucar a pele.

Adaptações da casa

  • Tapetes antiderrapantes em pisos lisos, principalmente nos caminhos mais usados.
  • Rampas para o sofá, a cama e o carro.
  • Cama firme e acolchoada, em local sem correntes de ar.
  • Portões ou barreiras para limitar o acesso a escadas, quando necessário.
  • Comedouro e bebedouro em locais de fácil acesso.
  • Unhas aparadas e pelos das patas cortados, para melhorar a aderência ao chão.

Quando procurar o veterinário

Procure o médico veterinário se o seu cão piorar de repente, deixar de apoiar uma pata, sentir dor intensa ou não conseguir levantar. Também é importante buscar avaliação se o filhote mostrar qualquer um dos sinais descritos, porque algumas opções de tratamento dependem da idade.

Procure atendimento de emergência se o cão arrastar as patas pelo chão, perder o controle do xixi ou das fezes ou não conseguir ficar de pé. Esses sinais podem indicar um problema na coluna ou nos nervos, e não apenas a displasia, e precisam de avaliação urgente.

Perguntas frequentes

Cão com displasia pode passear?

Na maioria dos casos, sim, e o exercício regular e de baixo impacto costuma fazer parte do tratamento. Passeios moderados todos os dias são melhores do que atividades intensas de vez em quando. A intensidade ideal é definida com o veterinário e o fisioterapeuta.

Displasia coxofemoral sempre precisa de cirurgia?

Não. Muitos cães são acompanhados com manejo conservador, que inclui controle de peso, exercícios, fisioterapia e medicação quando necessária. A indicação de cirurgia depende da idade, da dor e da fase da doença, e é decisão do veterinário.

Com que idade aparecem os sinais de displasia?

Os sinais podem surgir ainda na fase de crescimento ou só na vida adulta, quando a artrose se desenvolve. Alguns cães mostram poucos sinais por muito tempo. Como algumas cirurgias preventivas só podem ser feitas em filhotes e cães jovens, ao notar qualquer alteração no andar, procure o veterinário cedo.

A fisioterapia ajuda cães idosos com displasia?

Sim, a fisioterapia pode ajudar no controle da dor, na manutenção da musculatura e na mobilidade de cães idosos. As sessões são adaptadas ao ritmo de cada cão. O atendimento em casa evita o transporte, que pode ser difícil para cães grandes e com dor.