Fisioterapia após cirurgia de ligamento cruzado (TPLO) em cães
A cirurgia estabiliza o joelho, e a reabilitação ajuda o cão a voltar a usar a pata com segurança. Veja como funcionam as fases, o que fazer em casa e quando chamar o cirurgião.
Agende uma avaliação em casaPontos-chave
- A cirurgia estabiliza o joelho; a fisioterapia e o repouso correto ajudam o cão a voltar a usar a pata com segurança.
- Cada nova atividade depende da liberação do cirurgião. Pular etapas aumenta o risco de complicações.
- Em alguns estudos, cerca de 1 em cada 3 cães rompe também o outro joelho: peso e musculatura protegem os dois.
- Piora súbita, inchaço no corte, estalo novo ou manqueira na outra pata pedem contato imediato com o cirurgião.
O que é a ruptura do ligamento cruzado cranial
Dentro do joelho do cão existem ligamentos que mantêm os ossos no lugar durante o movimento. Um dos mais importantes é o ligamento cruzado cranial. Ele impede que a tíbia (osso da perna) deslize para frente em relação ao fêmur (osso da coxa).
Quando esse ligamento se rompe, o joelho fica instável. A cada passo, os ossos se movem de forma anormal. Isso causa dor, inflamação e, com o tempo, desgaste da articulação (artrose). O menisco, uma estrutura que amortece o joelho, também pode ser lesionado, principalmente o do lado de dentro (menisco medial).
Diferente do que acontece em pessoas, no cão a ruptura muitas vezes não vem de um único trauma. Em muitos casos, o ligamento vai se degenerando aos poucos e se rompe em um movimento comum do dia a dia. Por isso, a ruptura pode ser parcial no começo e se tornar total depois.
Sinais que o tutor percebe
- O cão passa a mancar de uma pata de trás, às vezes de repente, depois de correr ou brincar.
- Toca a pata no chão só com a ponta ou mantém a pata levantada.
- Senta de lado, com a pata afetada esticada para fora.
- Tem dificuldade para levantar, subir no sofá ou entrar no carro.
- Manca mais depois de exercício ou depois de descansar.
- A coxa da pata afetada fica mais fina com o tempo, por perda de músculo.
O diagnóstico é feito pelo médico veterinário, com exame físico do joelho e exames de imagem. A escolha do tratamento também é dele, geralmente com um ortopedista.
O tratamento cirúrgico: TPLO e outras técnicas
Na maioria dos casos, o objetivo da cirurgia é devolver estabilidade ao joelho. Existem diferentes técnicas, e o cirurgião escolhe a mais adequada conforme o porte, a idade, a atividade do cão e a própria experiência. Entre as mais conhecidas estão:
- TPLO (osteotomia de nivelamento do platô tibial): o cirurgião corta e reposiciona a parte de cima da tíbia, fixando-a com placa e parafusos. Isso muda a mecânica do joelho para que ele fique estável mesmo sem o ligamento.
- TTA (avanço da tuberosidade tibial): também altera a mecânica do joelho, com outro tipo de corte e implante.
- Sutura extracapsular (lateral): usa um fio resistente por fora da articulação para estabilizar o joelho.
Em alguns casos, especialmente em cães de pequeno porte, o veterinário pode optar por tratamento sem cirurgia, com fisioterapia e controle de peso. Em cães grandes, a cirurgia costuma trazer melhores resultados a longo prazo. Essa decisão é sempre do cirurgião, que avalia cada caso. Em qualquer caminho, a reabilitação ajuda o cão a voltar a usar a pata com segurança.
As fases da reabilitação, em linguagem simples
A recuperação acontece em etapas. A passagem de uma fase para outra depende da evolução do cão e da liberação do cirurgião, que acompanha a consolidação do osso por exames. Os prazos variam de caso a caso.
Fase 1: proteger e aliviar a dor
Nas primeiras semanas após a cirurgia, o foco é conforto e proteção. O cão fica em repouso restrito e faz passeios curtos, sempre na guia, apenas para as necessidades. Na fisioterapia, usamos:
- Laserterapia, um recurso usado para apoiar o conforto e a cicatrização. A ciência ainda está consolidando seus efeitos nessa fase.
- Eletroterapia (TENS) para alívio da dor.
- Terapia manual e massoterapia suaves, para relaxar a musculatura que fica tensa ao redor do quadril e da coluna. O foco são esses músculos, não o joelho operado.
- Movimentos passivos suaves do joelho e das outras articulações da pata, respeitando o limite de conforto. Eles são feitos pelo fisioterapeuta. O tutor só deve repeti-los em casa se tiver sido treinado para isso.
Nem toda técnica pode ser aplicada sobre a placa e os parafusos da cirurgia. O fisioterapeuta avalia isso em cada caso.
Fase 2: voltar a apoiar a pata
Com a dor controlada, o objetivo é o cão confiar na pata operada. Muitos cães continuam "poupando" a pata mesmo quando já poderiam apoiá-la. Nessa fase entram:
- Exercícios de transferência de peso, com o cão em pé, para estimular o apoio na pata operada.
- Eletroterapia (FES) para estimular a musculatura da coxa, que costuma perder volume.
- Caminhadas lentas e controladas na guia, aumentando o tempo aos poucos, conforme orientação.
Fase 3: fortalecer e dar equilíbrio
Com a liberação do cirurgião, os exercícios ficam mais desafiadores:
- Cinesioterapia: sentar e levantar, subir pequenas rampas e caminhar em diferentes superfícies.
- Propriocepção e equilíbrio: passagem por cones, pequenas barreiras, discos e bolas de equilíbrio.
- Esteira seca portátil: para treinar a marcha em ritmo constante e controlado.
Fase 4: retorno às atividades
Aos poucos, e só depois da liberação final do cirurgião, o cão volta às atividades normais. Correr, brincar livre e pular são reintroduzidos com cuidado. Pular etapas aumenta o risco de complicações.
O fortalecimento continua importante mesmo depois da alta. Estudos mostram que uma parte importante dos cães que rompem o ligamento de um joelho acaba rompendo também o do outro. Em alguns trabalhos, isso acontece com cerca de 1 em cada 3. Manter o peso adequado e a musculatura das duas patas de trás fortes ajuda a proteger os dois joelhos.
Como funciona o atendimento em casa com a Movet
Depois de uma cirurgia de joelho, cada saída de casa exige esforço. O cão precisa entrar e sair do carro, andar em pisos lisos e ficar em um ambiente cheio de estímulos. Tudo isso aumenta o risco de escorregões na fase em que o joelho ainda está se recuperando.
No atendimento domiciliar, a Movet vai até você em São Paulo Capital e no Grande ABC, com os equipamentos portáteis. Isso traz algumas vantagens práticas:
- O cão não precisa ser transportado.
- Ele fica no ambiente que conhece, o que costuma ajudar na colaboração durante as sessões.
- Vemos de perto os pisos, escadas e móveis da casa e ajustamos as orientações ao seu espaço.
- O tutor aprende os exercícios de casa no lugar onde vai fazê-los.
Para entender melhor como a fisioterapia atua em lesões ligamentares e outras condições ortopédicas, veja também como a fisioterapia ajuda em displasia, luxação de patela e lesões ligamentares.
O que o tutor faz em casa
- Siga o repouso indicado. Um espaço pequeno ou cercadinho, onde o cão não consiga pegar velocidade, evita corridas e pulos.
- Passeios só na guia, curtos e em ritmo lento, até a liberação do cirurgião.
- Nada de pular no sofá, na cama ou no carro. Use rampas ou pegue o cão no colo.
- Evite escadas sem controle. Quando necessário, use guia curta e ajude com uma toalha passada sob a barriga.
- Cubra pisos lisos com tapetes antiderrapantes nos caminhos que o cão mais usa.
- Proteja o corte cirúrgico. Use o colar ou a roupa indicada pelo veterinário para evitar lambeduras.
- Faça os exercícios orientados na frequência combinada, sem pular etapas.
- Controle o peso. O excesso de peso é um dos principais fatores de risco para romper o ligamento do outro joelho e para a artrose piorar.
- Compressas frias só com orientação. Elas podem ajudar nas primeiras semanas, mas use apenas se o cirurgião ou o fisioterapeuta indicar, com o tempo certo e um pano protegendo a pele.
- Dê a medicação exatamente como o veterinário prescreveu.
Sinais de alerta: quando chamar o cirurgião
Entre em contato com o cirurgião ou com o veterinário responsável se perceber:
- O cão volta a não apoiar a pata ou piora de repente depois de estar melhorando.
- Inchaço, vermelhidão, calor, secreção ou mau cheiro no local da cirurgia.
- Pontos abertos ou o cão conseguindo lamber o corte.
- Dor forte, choro ao tocar na pata ou dor que não melhora com a medicação.
- Um "estalo" novo no joelho ao andar. Ele pode indicar uma lesão no menisco que aparece depois da cirurgia e que às vezes precisa de nova cirurgia. Avise o cirurgião logo.
- O cão começa a mancar de repente da outra pata de trás. Pode ser sinal de ruptura do ligamento do outro joelho.
- Febre, falta de apetite ou apatia.
Esses sinais não significam necessariamente algo grave, mas precisam ser avaliados pela equipe que operou. A fisioterapia segue em conjunto com o cirurgião, nunca no lugar dele.
Perguntas frequentes
Quando começar a fisioterapia depois da TPLO?
O início depende da liberação do cirurgião e do estado do cão. Nas primeiras fases, as técnicas são suaves e voltadas à dor e ao conforto, como laserterapia e movimentos passivos feitos pelo fisioterapeuta. Os exercícios avançam conforme a evolução e a consolidação do osso.
Meu cão pode subir escada depois da cirurgia de ligamento cruzado?
No começo, o ideal é evitar escadas sem controle. Quando não houver alternativa, use guia curta e dê apoio com uma toalha sob a barriga. O momento de liberar escadas e atividades mais intensas é definido pelo cirurgião.
Por que meu cão ainda não apoia a pata operada?
Muitos cães continuam poupando a pata por hábito, medo ou dor. A fisioterapia usa exercícios de transferência de peso e estímulo muscular para ajudar o cão a confiar na pata. Se ele piorar de repente, parar de apoiar depois de ter melhorado ou começar a mancar da outra pata, avise o cirurgião.
O cão pode romper o ligamento do outro joelho?
Sim. Estudos mostram que uma parte importante dos cães que rompem o ligamento de um joelho rompe também o do outro, em alguns trabalhos cerca de 1 em cada 3. Manter o peso adequado, fortalecer a musculatura das duas patas de trás e seguir as orientações de atividade ajudam a proteger os dois joelhos. Se o cão mancar de repente da outra pata, avise o veterinário.
