Cão paralisado das patas de trás: cuidados, reabilitação e cadeira de rodas
Perder os movimentos das patas de trás assusta, e a primeira atitude é procurar o veterinário. Depois do diagnóstico, os cuidados em casa, a reabilitação e, em alguns casos, a cadeira de rodas ajudam o cão a viver bem.
Agende uma avaliação em casaPontos-chave
- Perda súbita dos movimentos das patas é emergência: procure o veterinário na hora, porque as primeiras horas contam.
- Muitas doenças causam paralisia. O diagnóstico do veterinário define o tratamento e o prognóstico.
- Bexiga, pele e posição exigem cuidado diário. Só aperte a bexiga se o veterinário ensinar.
- A cadeira de rodas ajuda muitos cães, desde que seja bem indicada, bem ajustada e usada com supervisão.
Paralisia e paresia: o que significam
Quando o cão perde a força das patas de trás, o veterinário costuma usar dois termos:
- Paresia: é a fraqueza. O cão ainda mexe as patas, mas com pouca força ou pouca coordenação. Pode cambalear, cruzar as patas ou não conseguir andar sozinho.
- Paralisia (ou plegia): o cão não consegue mexer as patas afetadas.
Quando só as patas de trás são afetadas, fala-se em paraparesia ou paraplegia. Em geral, o problema está na medula espinhal ou nos nervos que levam os comandos do cérebro até as patas.
Possíveis causas: o diagnóstico é do veterinário
Muitas doenças diferentes podem deixar um cão sem os movimentos das patas de trás. Entre as mais conhecidas estão:
- Hérnia de disco: uma das causas mais comuns, principalmente em raças como dachshund, shih tzu, lhasa apso e buldogue francês. Também acontece em raças grandes, como labrador e pastor alemão, em geral com sinais que aparecem mais devagar.
- Embolia fibrocartilaginosa: material do interior do disco entope pequenos vasos que irrigam a medula, e uma parte dela fica sem oxigênio. Acontece de repente, muitas vezes durante uma brincadeira ou esforço, e é mais comum em cães médios, grandes e gigantes. Depois das primeiras horas, a tendência é estabilizar, e não piorar aos poucos. A melhora, quando acontece, costuma vir ao longo de semanas a meses.
- Traumas: atropelamentos, quedas e mordidas podem causar fratura ou deslocamento da coluna.
- Mielopatia degenerativa: doença que avança devagar, ao longo de meses, em cães mais velhos.
- Tumores, inflamações e infecções da medula, das vértebras ou dos nervos.
Cada causa tem um tratamento e um prognóstico diferentes. Algumas precisam de cirurgia rápida. Por isso, o diagnóstico sempre vem do médico veterinário, com exame neurológico e, muitas vezes, exames de imagem como tomografia ou ressonância magnética. A reabilitação é planejada a partir dele.
Quando procurar o veterinário com urgência
Perder os movimentos das patas é uma situação de emergência. Procure atendimento veterinário imediatamente se o seu cão:
- Perder de repente a força ou os movimentos das patas.
- Piorar em poucas horas.
- Sofrer um trauma, como atropelamento ou queda.
- Sentir dor intensa, gritar ao ser tocado ou ficar com as costas arqueadas.
- Não conseguir fazer xixi, ou ficar com a barriga inchada ou dura.
- Passar a ter fraqueza também nas patas da frente ou dificuldade para respirar. Isso vale também depois do diagnóstico ou da cirurgia: é uma emergência grave.
- Não reagir de forma nenhuma quando alguém toca as patas de trás. Isso pode indicar uma lesão muito grave.
Em algumas causas, como a hérnia de disco grave, quanto mais cedo o tratamento começa, melhores costumam ser as chances. Quando o cão perde por completo a sensibilidade das patas, as primeiras horas são decisivas para a cirurgia, e esperar pode reduzir muito a chance de recuperação. Não espere para ver se melhora.
Se houve trauma, mexa o mínimo possível na coluna. Transporte o cão sobre uma superfície firme e reta, como uma tábua ou uma caixa rígida, com apoio para o corpo todo.
Cuidados de enfermagem em casa
Um cão que não anda depende muito do tutor. Esses cuidados evitam complicações sérias e fazem parte da reabilitação. Todos devem seguir a orientação do veterinário que acompanha o caso.
Bexiga e intestino
Muitos cães com lesão na medula não conseguem esvaziar a bexiga sozinhos. Alguns seguram o xixi, outros deixam escapar gotas o tempo todo, mesmo com a bexiga cheia. Bexiga cheia por muito tempo pode causar infecção urinária e, em casos extremos, lesões graves. O tipo de problema na bexiga depende do local da lesão, e o cuidado muda conforme o caso.
- O veterinário indica como e quando esvaziar a bexiga. Às vezes, ensina o tutor a fazer a compressão manual. Em outros casos, apertar a bexiga pode fazer mal, e ele indica outro método, como a sonda. Siga essa orientação à risca.
- Avise o veterinário se a urina ficar com cheiro forte, turva ou com sangue.
- Observe as fezes. Alguns cães ficam com o intestino preso, outros perdem o controle.
Pele e feridas de pressão
- Use cama macia e grossa, e mude o cão de posição com a frequência indicada pelo veterinário.
- Confira a pele todo dia, principalmente sobre os ossos salientes: quadril, joelhos, tornozelos e cotovelos. Mostre ao veterinário qualquer vermelhidão ou ferida.
- Mantenha a pele limpa e seca. Xixi e fezes em contato com a pele causam assaduras e feridas.
- Se o cão arrasta as patas, o dorso dos pés pode se machucar. Pergunte sobre protetores ou botinhas.
Posição e rotina
- Quando possível, deixe o cão deitado de peito, na posição de "esfinge", com apoio nas laterais. Essa posição costuma ajudar a respirar e a comer.
- Deixe água e comida ao alcance.
- Para levantar o cão, use uma toalha ou faixa sob a barriga, ou um peitoral com alça traseira. Nunca levante pelo rabo ou pelas patas.
- Mantenha o cão perto da família. Interação e estímulo fazem diferença no ânimo dele.
Como a reabilitação ajuda
A fisioterapia começa depois da avaliação veterinária e, nos casos operados, com a liberação do cirurgião. Os objetivos são controlar a dor, manter as articulações móveis, preservar a musculatura, estimular o retorno dos movimentos quando isso é possível e ensinar o tutor a cuidar do cão no dia a dia.
- Movimentos passivos: o fisioterapeuta movimenta as articulações das patas de forma suave, para manter a amplitude e o conforto. A ciência ainda discute quanto eles aceleram a recuperação, mas fazem parte do cuidado. O tutor só repete em casa se tiver sido treinado.
- Cinesioterapia: ficar em pé com apoio, transferir o peso de uma pata para outra e dar os primeiros passos assistidos.
- Eletroterapia (NMES/FES): estimula a contração dos músculos enquanto o cão ainda não consegue movê-los bem. É usada quando indicada, e a ciência ainda está consolidando seus resultados em cães. Só é aplicada pelo fisioterapeuta, nunca em casa com aparelhos próprios.
- Laserterapia e TENS: ajudam no controle da dor, quando ela está presente. Com a sensibilidade reduzida, o cão pode não mostrar desconforto, por isso os ajustes são feitos com cuidado extra. No laser, os olhos do cão e do profissional ficam protegidos.
- Terapia manual e massoterapia: relaxam a musculatura que compensa o esforço, como a das patas da frente e do pescoço.
- Campo magnético pulsátil: pode ser usado como apoio. A ciência ainda estuda melhor seus efeitos nessas condições.
- Propriocepção e esteira seca portátil: em fases mais avançadas, com apoio sob a barriga, para treinar a marcha e o equilíbrio.
A eletroterapia, o laser, o TENS e o campo magnético têm contraindicações que o fisioterapeuta confere antes do uso. Por exemplo, não são aplicados sobre tumores, o que importa quando a causa da paralisia é um tumor, e a eletroterapia e o campo magnético não são usados em cães com marca-passo.
Nem todo cão volta a andar. A chance depende da causa, da gravidade da lesão e do tempo até o tratamento. Mesmo quando a recuperação dos movimentos não é possível, a reabilitação ajuda a manter o conforto, prevenir complicações e adaptar a rotina para que o cão continue ativo.
Quando a cadeira de rodas ajuda
A cadeira de rodas para cães apoia a parte de trás do corpo, enquanto o cão anda com as patas da frente. Ela pode ajudar:
- Cães que perderam os movimentos das patas de trás de forma permanente.
- Cães com doenças que avançam aos poucos, como a mielopatia degenerativa.
- Cães em recuperação lenta, para se exercitarem com segurança enquanto a reabilitação continua.
Para usar a cadeira, o cão precisa ter as patas da frente fortes. Quando elas também estão fracas, existem modelos com quatro rodas. Em cães que ainda podem recuperar os movimentos, a cadeira pode ser ajustada para que as patas de trás toquem o chão e o cão continue treinando os passos. Em outros casos, apoios chamados estribos mantêm as patas suspensas para que não se machuquem. A escolha é feita junto com o veterinário e o fisioterapeuta, e o uso só começa com a liberação veterinária.
Cuidados com o ajuste
- A cadeira precisa ser feita ou ajustada com as medidas do cão. Uma cadeira emprestada ou mal ajustada pode machucar.
- A coluna deve ficar reta, sem arquear nem afundar.
- As alças e os apoios não podem apertar as axilas, a virilha ou a região genital, e devem deixar o cão fazer xixi e cocô.
- Comece com períodos curtos e aumente aos poucos, conforme a orientação.
- Confira a pele depois de cada uso. Vermelhidão ou pelo gasto indicam atrito.
- Se o cão perder xixi ou fezes durante o uso, limpe e seque a virilha e a região genital logo depois, para evitar assaduras e feridas.
- Reavalie o ajuste quando o cão ganhar ou perder peso, ou quando a condição mudar.
Como funciona o atendimento em casa com a Movet
Transportar um cão que não anda é difícil para ele e para o tutor. E é em casa que acontecem os cuidados mais importantes do dia a dia.
No atendimento domiciliar, a Movet leva os equipamentos portáteis até você, em São Paulo Capital e no Grande ABC. Assim:
- O cão não precisa ser transportado.
- Ensinamos os cuidados de posição, pele e movimentação no próprio ambiente do cão.
- Vemos pisos, cama e espaços da casa, e orientamos adaptações, inclusive para o uso da cadeira de rodas.
Se a causa for hérnia de disco, veja também o guia sobre hérnia de disco em cães.
O que não fazer em casa
- Não aperte a bexiga do cão sem ter sido treinado pelo veterinário.
- Não belisque as patas para "testar" se ele sente dor. Esse teste é feito pelo veterinário, com técnica própria. Mas observe e anote se o cão reagir sozinho ao toque nas patas, recolhendo a pata, virando a cabeça ou fazendo algum som, e conte ao veterinário.
- Não use bolsas quentes, compressas aquecidas nem gelo direto na pele. Com a sensibilidade reduzida, o cão pode se queimar sem perceber.
- Não deixe o cão muito tempo na mesma posição nem sobre superfície dura.
- Não deixe o cão sozinho na cadeira de rodas.
- Não dê remédios por conta própria.
Perguntas frequentes
Cão paralisado das patas de trás volta a andar?
Depende da causa, da gravidade da lesão e do tempo até o tratamento. Alguns cães recuperam os movimentos, outros não. O veterinário é quem avalia o prognóstico. Mesmo quando o cão não volta a andar, a reabilitação ajuda a manter o conforto e a prevenir complicações.
A cadeira de rodas atrapalha a recuperação?
Não, quando é bem indicada e bem ajustada. Em cães que ainda podem recuperar os movimentos, a cadeira pode ser regulada para que as patas de trás toquem o chão e o cão continue treinando os passos. A indicação e o momento de começar são definidos com o veterinário e o fisioterapeuta.
Meu cão não faz xixi sozinho. O que fazer?
Avise o veterinário. Muitos cães com lesão na medula não conseguem esvaziar a bexiga, e isso pode causar infecção e lesões graves. O veterinário indica como e quando esvaziá-la. Não aperte a bexiga sem ter sido ensinado: em alguns tipos de lesão, isso pode fazer mal. Se o cão não fizer xixi e a barriga estiver inchada ou dura, procure atendimento com urgência.
Como evitar feridas em um cão que não anda?
Use cama macia e grossa, mude o cão de posição com a frequência indicada pelo veterinário, mantenha a pele limpa e seca e confira todo dia os pontos de apoio, como quadril, joelhos e cotovelos. Mostre ao veterinário qualquer vermelhidão ou ferida.
