Eletroterapia veterinária: o que são TENS e NMES em cães e gatos
Corrente elétrica para tratar dor? Entenda, em linguagem simples, a diferença entre TENS e NMES, como é a sessão, o que o animal sente e quando a eletroterapia não deve ser usada.

Pontos-chave
- O TENS é usado como apoio no controle da dor; a NMES e a FES estimulam músculos que perderam força, quando o nervo do músculo está preservado.
- Em cães com artrose, os estudos controlados mais recentes com TENS não mostraram diferença em relação ao placebo; a pesquisa em cães e gatos ainda é limitada.
- A sessão não deve doer: a intensidade sobe aos poucos e o animal é observado o tempo todo.
- Marca-passo, epilepsia sem controle, região do coração e do pescoço, tumores, feridas e suspeita de trombose são contraindicações. Após fratura ou cirurgia, a NMES só começa com a liberação do cirurgião.
- Nunca use no seu pet um aparelho de TENS de uso humano sem orientação profissional.
Eletrodos na pele, um aparelho pequeno e uma corrente elétrica leve. A eletroterapia pode parecer estranha à primeira vista, mas é um recurso comum na fisioterapia de pessoas e também na de cães e gatos.
Neste artigo, você entende o que ela faz, a diferença entre o TENS e a NMES, como é a sessão, o que o animal sente e em quais situações ela não deve ser usada.
O que é a eletroterapia
Eletroterapia é o uso de correntes elétricas de baixa intensidade, aplicadas na pele por meio de eletrodos, com objetivo de tratamento. O aparelho permite ajustar o tipo de corrente, a intensidade e o tempo de aplicação, e cada ajuste muda o efeito no corpo.
Na fisioterapia veterinária, as formas mais usadas são duas: o TENS, voltado para a dor, e a NMES, voltada para os músculos. Elas podem até usar o mesmo aparelho, mas têm objetivos diferentes.
TENS: apoio no controle da dor
TENS é a sigla em inglês para estimulação elétrica nervosa transcutânea. "Transcutânea" quer dizer que a corrente passa através da pele, sem agulhas e sem cortes.
De forma simples, o TENS estimula os nervos da pele com um sinal que compete com o sinal da dor. É como se o sistema nervoso ficasse ocupado com uma sensação leve de formigamento e prestasse menos atenção à dor. Alguns ajustes também estimulam o corpo a liberar seus próprios analgésicos naturais.
O TENS pode ser usado como apoio em situações como:
- Dor na coluna, como em casos de hérnia de disco em cães, conforme a fase e a liberação do veterinário.
- Dor depois de cirurgias, com a liberação do cirurgião. Os estudos em cães ainda são poucos.
- Dor crônica da artrose, só como complemento a ser testado caso a caso, junto com os outros cuidados indicados pelo veterinário. Os estudos controlados mais recentes em cães com artrose não mostraram diferença em relação ao placebo.
O alívio do TENS costuma ser maior durante e logo depois da aplicação. Por isso, ele funciona melhor como parte de um plano, combinado com outras técnicas, e não sozinho.
NMES e FES: estímulo para os músculos
NMES é a sigla em inglês para estimulação elétrica neuromuscular. Aqui, o objetivo não é a dor, e sim o músculo. A corrente estimula o nervo que comanda o músculo, e o músculo contrai, como se o animal estivesse fazendo força.
A NMES é usada principalmente quando o animal perdeu força ou massa muscular, por exemplo:
- Depois de um período longo de repouso ou de imobilização, como após cirurgias e fraturas.
- Em alguns problemas neurológicos, quando o animal ainda não consegue mexer bem uma pata por conta própria.
- Em animais idosos ou que ficaram muito tempo parados, com perda importante de músculo.
A NMES só funciona quando o nervo que chega ao músculo está preservado. Se o próprio nervo da pata foi lesionado, o músculo pode não responder a esse estímulo, e é o exame neurológico da avaliação que mostra se a técnica faz sentido. Depois de fraturas e de cirurgias, inclusive em músculos e tendões, a NMES só começa quando o cirurgião libera, porque a contração forte não pode atrapalhar a cicatrização.
A FES, ou estimulação elétrica funcional, é uma forma de estímulo muscular em que a contração acompanha um movimento, como dar um passo ou ficar de pé. A ideia é ajudar o animal a treinar o movimento enquanto o músculo recebe o estímulo.
Em resumo: o TENS é um apoio para a dor; a NMES e a FES são para o músculo. A NMES não substitui o exercício: o objetivo é o animal voltar a usar o músculo sozinho.
Como é uma sessão de eletroterapia
- Checagem antes: o profissional confere o diagnóstico, os exames, os remédios em uso e se há alguma contraindicação.
- Preparo da pele: os eletrodos precisam encostar bem na pele. Em animais de pelo denso, pode ser preciso aparar o pelo de uma pequena área. Às vezes, usa-se um gel que ajuda a corrente a passar.
- Posicionamento: os eletrodos são colocados sobre a região a ser tratada, longe das áreas em que a corrente não deve passar.
- Intensidade aos poucos: a corrente começa baixa e sobe devagar, enquanto o profissional observa a reação do animal.
- Acompanhamento o tempo todo: o animal nunca fica sozinho com o aparelho ligado.
O tempo de aplicação e a frequência das sessões são definidos na avaliação e ajustados conforme a resposta de cada animal.
O que o animal sente
No TENS, a sensação é de um formigamento leve. Alguns animais olham para o local no início, cheiram o eletrodo ou ficam curiosos, e depois relaxam. Muitos chegam a cochilar.
Na NMES, o responsável vê o músculo contrair e, às vezes, a pata se mexer sozinha. A contração não deve doer: a intensidade é ajustada para ser bem tolerada.
Se o animal mostrar desconforto, como tentar morder o eletrodo, choramingar, ficar agitado ou tentar se afastar, a intensidade é reduzida ou a aplicação é interrompida.
Em gatos, o incômodo costuma ser mais discreto: o gato fica imóvel e encolhido, com as orelhas para trás ou para os lados, a cauda batendo, a pele das costas tremendo e as pupilas dilatadas. Gato parado nem sempre é gato tranquilo. Neles, a eletroterapia exige aparar o pelo, muitas vezes outros recursos são preferidos, e ela só entra quando o gato aceita bem.
Quando a eletroterapia não deve ser usada
A eletroterapia é segura quando bem indicada e aplicada por um profissional, mas tem contraindicações importantes. Ela não é usada:
- Em animais com marca-passo ou outro aparelho eletrônico implantado.
- Em animais com epilepsia ou convulsões sem controle.
- Sobre a região do coração, a frente e as laterais do pescoço, a cabeça e a região dos olhos.
- Sobre tumores conhecidos ou suspeitos.
- Sobre feridas abertas, áreas com infecção ou pele irritada.
- Sobre a barriga, o lombo e o quadril de fêmeas prenhes ou que possam estar prenhes.
- Sobre áreas com sangramento ou suspeita de trombose (coágulo dentro de um vaso).
- Sobre fraturas ainda não estabilizadas.
Ela também exige cuidado redobrado em regiões onde o animal tem pouca ou nenhuma sensibilidade na pele, como acontece em alguns problemas neurológicos. Como ele não consegue mostrar se a corrente incomoda, o profissional fica ainda mais atento à intensidade e ao estado da pele. O uso perto de implantes metálicos e em animais com doença do coração também é avaliado caso a caso.
Por isso, informe sempre todos os diagnósticos do seu pet, inclusive os que parecem não ter relação com o problema de movimento.
Por que nunca usar um aparelho humano em casa
Aparelhos de TENS vendidos em farmácias ou pela internet, inclusive os anunciados como "para pets", podem parecer uma solução prática. Mas usar no seu pet sem orientação é arriscado:
- Os ajustes pensados para pessoas não levam em conta o tamanho, a pele e o pelo de cães e gatos.
- O animal não consegue dizer que está incomodando. Ele pode se assustar, se machucar ou passar a ter medo de ser tocado.
- Usar sem diagnóstico pode mascarar um problema que precisa de atenção, como uma hérnia de disco que está piorando.
- Colocar os eletrodos no lugar errado, como perto do coração, pode ser perigoso.
- Há risco de irritação e lesão na pele, principalmente onde o pelo atrapalha o contato.
Se a eletroterapia fizer sentido para o seu pet, ela deve ser aplicada por um profissional de reabilitação veterinária, dentro de um plano de tratamento.
O que a ciência já sabe
A eletroterapia é muito usada na fisioterapia de pessoas, mas em cães e gatos as pesquisas ainda são poucas, pequenas e com resultados diferentes entre si. Uma revisão que reuniu os estudos concluiu que ainda falta prova suficiente de efeito.
Na dor forte e recente de coluna, um estudo em cães sugeriu recuperação mais rápida quando o TENS foi somado aos remédios. Já em cães com artrose, os estudos controlados mais recentes, que compararam o TENS com um aparelho desligado, não encontraram diferença. Depois de cirurgia de joelho, um estudo pequeno e antigo sugeriu que a NMES ajuda a recuperar o músculo da coxa. Em gatos, há menos pesquisa ainda, e a resposta varia de um animal para outro.
Por isso, a eletroterapia é só um apoio: ela complementa a medicação prescrita pelo veterinário, os exercícios e os cuidados em casa, é usada com um objetivo definido e só continua se o animal mostrar melhora nas reavaliações.
Quando procurar o veterinário com urgência
A fisioterapia não é atendimento de emergência. Procure o médico veterinário imediatamente se o seu pet:
- Perder de repente a capacidade de andar, arrastar as patas ou não conseguir ficar de pé.
- Tiver uma convulsão.
- Sentir dor intensa, gritar ao ser tocado ou piorar rapidamente.
- Perder o controle do xixi ou das fezes de repente, fizer força para urinar sem sair nada, ou passar muitas horas sem fazer xixi (às vezes só pingando). Em problemas de coluna, a bexiga pode encher e não conseguir esvaziar sozinha.
- Tiver dificuldade para respirar. Em gatos, respirar com a boca aberta já é sinal de alerta, assim como perder de repente a força das patas de trás, com as patas frias e muita dor.
Se notar vermelhidão que não passa, bolhas ou feridas na pele onde ficaram os eletrodos, avise o profissional e o veterinário antes da próxima sessão.
Como funciona o atendimento em casa com a Movet
A Movet leva a eletroterapia e os outros recursos de fisioterapia até a sua casa, em São Paulo Capital e no Grande ABC, de segunda a sexta, das 8h às 18h.
- Avaliação antes de qualquer técnica: histórico, exames, remédios em uso e possíveis contraindicações.
- Técnica escolhida pelo objetivo: TENS como apoio para a dor, NMES ou FES para o músculo, ou outros recursos quando forem mais adequados.
- Plano alinhado com o veterinário que acompanha o caso.
- Aplicação sempre acompanhada, no ambiente onde o pet fica mais tranquilo.
A eletroterapia costuma ser combinada com outros recursos. Veja também para que serve a laserterapia veterinária e como é o cuidado da dor crônica em cães idosos.



