22 de outubro de 2026 · 5 min de leitura · por Joyce Bueno Florencio, CRMV-SP 36111

Laserterapia veterinária: para que serve e como é a sessão

A laserterapia usa luz para ajudar no controle da dor e da inflamação. Veja quando costuma ser usada em cães e gatos, como é a sessão, os cuidados de segurança e o que a ciência já sabe.

Joyce em sessão de laserterapia com um pastor de shetland, em casa

Pontos-chave

  • A laserterapia é um recurso de apoio para dor e inflamação, somado aos exercícios e ao tratamento veterinário.
  • A sessão é tranquila e não deve doer; como o pelo bloqueia parte da luz, o profissional pode aparar a região conforme o caso.
  • Todos usam óculos próprios para o laser (óculos de sol não protegem), e o laser nunca é aplicado nos olhos nem sobre tumores.
  • Há resultados positivos em cães com artrose, mas em outras situações a ciência ainda tem dúvidas.
  • Não compre nem use laser em casa: há risco de lesão permanente nos olhos e de queimadura na pele.

Uma luz que ajuda a tratar a dor? Parece novidade, mas a laserterapia é um dos recursos mais usados na fisioterapia veterinária. A sessão é tranquila, quase sem barulho, não usa agulhas e costuma ser bem aceita por cães e gatos.

Mesmo assim, laser não é mágica nem serve para tudo. Neste artigo, você entende o que ele faz, quando costuma ser indicado, como é a sessão, quais cuidados de segurança são indispensáveis e o que a ciência já sabe.

O que é a laserterapia

A laserterapia é uma forma de fotobiomodulação, o uso de luz para estimular as células. Na fisioterapia, essa luz costuma vir de um laser terapêutico. Ela penetra nos tecidos e é absorvida pelas células.

A ideia é que essa energia estimule processos naturais das células, ajudando a modular a inflamação, aliviar a dor e apoiar a cicatrização. Daí o nome: a luz "modula" o funcionamento das células.

O laser terapêutico é diferente do laser cirúrgico, que corta e cauteriza. Na fisioterapia, o objetivo não é cortar nem queimar nada.

Para que a laserterapia costuma ser usada

Depois do diagnóstico feito pelo médico veterinário, a laserterapia pode entrar como apoio em situações como:

  • Artrose e dor crônica nas articulações, comuns em cães e gatos idosos.
  • Pós-operatório de cirurgias ortopédicas e de coluna, com a liberação do cirurgião.
  • Dor na coluna, como em casos de hérnia de disco tratados com ou sem cirurgia.
  • Lesões de músculos e tendões, como estiramentos.
  • Feridas e cicatrizes, como apoio ao tratamento indicado pelo veterinário.

Nem toda dor na pata é artrose. Em cães mais velhos de porte médio ou grande, uma manqueira que vai piorando ou um inchaço firme e dolorido perto de uma articulação pede avaliação do veterinário, com exame de imagem, antes de qualquer aplicação.

Na maioria das vezes, o laser é combinado com outras técnicas, como exercícios terapêuticos e terapia manual. Ele ajuda o animal a ficar mais confortável para se movimentar, e é o movimento orientado que fortalece músculos e articulações.

Se o seu cão é idoso e anda com dificuldade, veja o guia sobre dor crônica em cães idosos.

Como é uma sessão de laserterapia

  • Checagem antes: o profissional confere o diagnóstico, os exames, os remédios em uso e as condições de saúde, porque o laser tem contraindicações.
  • Proteção dos olhos: todos que estão no ambiente usam óculos de proteção próprios para o laser, inclusive o responsável. Os olhos do animal também são protegidos, com óculos próprios para pets ou cobertos com cuidado. Óculos de sol comuns não protegem: os óculos usados são específicos para a luz do aparelho. Em muitos aparelhos, essa luz é invisível, então ninguém deve olhar para a ponteira, mesmo de óculos.
  • Aplicação: a ponteira é passada sobre a região tratada, encostada na pele ou bem perto dela, em movimento. O pelo bloqueia boa parte da luz. Por isso, conforme o caso, o profissional pode aparar ou tosar a região tratada, sempre combinando com você antes.
  • Ajustes individuais: a potência, o tempo e a dose dependem da região, do tamanho e da espécie do animal e da cor do pelo e da pele. Pelos e peles escuros absorvem mais luz e esquentam mais, o que exige atenção extra.

O que o animal sente

Na maioria das vezes, quase nada, ou um calor leve e agradável. Muitos animais relaxam e até cochilam. O laser terapêutico não deve queimar nem doer. Se o animal mostrar incômodo, o profissional ajusta ou interrompe a aplicação. Em regiões onde o animal sente pouco, como em alguns problemas de coluna, ele pode não mostrar que está esquentando. Nesses casos, o profissional usa ajustes mais cuidadosos e confere a pele o tempo todo.

Em gatos, o laser é ajustado ao tamanho e à pelagem, e a atenção ao aquecimento da pele é ainda maior. Por fazer pouco barulho e exigir pouca manipulação, costuma ser bem tolerado por eles. Mas, no gato, ficar imóvel e encolhido pode ser medo, e não relaxamento. Por isso, o profissional observa também as orelhas, a cauda, a pele das costas e as pupilas.

Segurança: quando o laser não é usado

A laserterapia é segura quando aplicada por um profissional treinado e com os cuidados certos. Os principais são:

  • Nunca nos olhos. A luz do laser terapêutico pode causar lesão grave e permanente na retina de pessoas e de animais, inclusive por reflexo em superfícies brilhantes.
  • Não sobre tumores conhecidos ou suspeitos. Em animais com câncer, o uso em outras regiões é avaliado com muito cuidado, junto com o veterinário.
  • Cuidado com a cartilagem de crescimento. Em filhotes, a aplicação sobre as regiões dos ossos que ainda estão crescendo é evitada ou feita com muita cautela.
  • Não sobre a barriga de fêmeas prenhes.
  • Não sobre áreas com sangramento nem sobre a região da tireoide, no pescoço.
  • Atenção a alguns remédios, como os que deixam a pele mais sensível à luz e os que baixam a imunidade.
  • Cuidado com tatuagens, inclusive a de castração: a tinta absorve a luz e pode esquentar e doer.

Por isso, informe todos os diagnósticos e remédios do seu pet, mesmo os que parecem não ter relação com o problema. Se notar um caroço novo, mostre ao veterinário antes de qualquer aplicação na região.

O que a ciência já sabe, e onde ainda há dúvida

A laserterapia é bastante estudada em laboratório e em pessoas, e já existem estudos em cães, principalmente com artrose. Em parte deles, os cães tratados tiveram menos dor e se movimentaram melhor, junto com o restante do tratamento veterinário.

Em outras situações, os resultados são mais misturados. Depois de cirurgias de joelho e de coluna, por exemplo, alguns estudos mostraram benefício e outros não encontraram diferença. Ainda faltam estudos maiores e com doses padronizadas, e há bem menos pesquisa em gatos. O efeito também depende do equipamento, da dose e da região tratada, e não existe um ajuste único que sirva para todos.

Na prática, o laser é um recurso de apoio. Ele soma com a medicação prescrita, o controle de peso, os exercícios e as adaptações da casa, mas não substitui nenhum desses cuidados e não cura doenças como a artrose.

Dúvidas comuns sobre laserterapia

Posso comprar um laser para usar em casa?

Não. Isso vale também para aparelhos de laser ou de luz vendidos na internet para uso humano, estético ou "para pets". Sem treinamento, há risco de lesão permanente nos olhos de quem está por perto e de queimadura na pele do animal. Além disso, a dose precisa ser definida para cada caso, e aplicar laser sem diagnóstico pode esconder um problema que precisa de atenção.

Quantas sessões são necessárias?

Depende do problema, da fase do tratamento e da resposta do animal. O plano é definido na avaliação e ajustado nas reavaliações, em conjunto com o veterinário que acompanha o caso.

O laser pode ser usado em gatos?

Sim, com ajustes ao tamanho e à pelagem do gato e atenção redobrada ao aquecimento da pele. Veja mais sobre fisioterapia para gatos em casa.

Quando procurar o veterinário com urgência

A fisioterapia não é atendimento de emergência. Procure o médico veterinário imediatamente se o seu pet:

  • Perder de repente a capacidade de andar, arrastar as patas ou não conseguir ficar de pé.
  • Deixar de apoiar uma pata de uma hora para outra ou gritar de dor.
  • Apresentar inchaço, secreção, pontos abertos ou mau cheiro no local de uma cirurgia.
  • Perder o controle do xixi ou das fezes de repente, fizer força para urinar sem sair nada, ou passar muitas horas sem fazer xixi (às vezes só pingando).
  • Tiver dificuldade para respirar.

Se notar vermelhidão que não passa, bolhas ou feridas na pele tratada, avise o profissional e o veterinário antes da próxima sessão.

Como funciona o atendimento em casa com a Movet

A laserterapia é um dos recursos portáteis que a Movet leva até a sua casa, em São Paulo Capital e no Grande ABC, de segunda a sexta, das 8h às 18h.

  • Avaliação completa antes da primeira aplicação, com histórico, exames e remédios em uso.
  • Óculos de proteção para todos durante a aplicação, inclusive para o responsável.
  • Ajustes para cada animal, conforme a espécie, o tamanho, a pelagem e a região tratada.
  • Combinação com outras técnicas, como exercícios, terapia manual e eletroterapia, quando indicadas.

O plano é sempre alinhado com o veterinário que acompanha o caso. A fisioterapia complementa o tratamento médico e não substitui o diagnóstico nem a medicação.

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